Isabela Toledo Colunista da Coluna de Educação

Híbrido significa mistura. Quando falamos de ensino híbrido estamos falando de uma mistura específica: ensino presencial + ensino online. Essa é uma tendência que tem ganhado cada vez mais espaço nas instituições, principalmente de ensino superior. Mas na educação básica também esse movimento já era totalmente perceptível. Os alunos já praticavam uma aprendizagem híbrida a partir do momento em que se beneficiavam de vídeos do YouTube ou pesquisas no Google para aprofundar mais um tema proposto pelo professor, ou mesmo para encontrar uma explicação sobre determinado conteúdo que fosse mais clara do que a explicação que recebeu na escola.

Agora, com a experiência do distanciamento social, o Ensino Híbrido está, definitivamente, enraizado no processo educacional. É um caminho sem volta.

Segundo uma pesquisa – Blended Beyond Borders: A scan of blended learning, obstacles and opportunities in Brazil, Malaysia and South Africa – realizada pelo Clayton Chistensen Institute, em 2017, nossos professores já perceberam que a apropriação de novas tecnologias melhora o processo de ensino e aprendizagem. A pesquisa gerou um relatório (disponível em https://www.christenseninstitute.org/wp-content/uploads/2017/11/BlendedBeyondBorders.pdf ) que procurou mostrar as oportunidades e os obstáculos do ensino híbrido. Os educadores querem inovar em suas salas de aula, porém muitos ainda não sabem como ou não tem acesso a recursos mínimos. Principalmente na educação básica, muitos utilizam a tecnologia como complemento, um recurso didático. Mas concordam que o uso de tecnologias melhora a aprendizagem.

Porém é preciso compreender que “ensino híbrido” vai muito além do uso de tecnologias nas aulas. Ensino híbrido envolve um movimento de personalização do ensino. E para que esse grande avanço no campo educativo seja real, uma mudança de mentalidade precisa acontecer. Repensar os papéis é essencial. Quais os principais envolvidos no processo educativo? Onde está o foco da aula? É melhor aprender ouvindo ou produzindo? Todas essas e outras perguntas precisam ser feitas pelos professores, coordenadores e diretores. Nesta mesma pesquisa, 80% dos entrevistados apontou a necessidade de capacitação profissional como um grande desafio.

É exatamente a realidade de hoje: professores e escolas buscando capacitação ao mesmo tempo em que precisam colocar em prática a nova forma de ensinar, já que não há outra opção de fazer a educação acontecer.

Para que os professores saibam como aplicar o ensino híbrido é necessária uma formação específica, já que a maioria deles nunca foi exposta a esse tipo de metodologia. Daí também vem grande parte da insegurança dos profissionais. Por isso o apoio da gestão é tão importante na implantação das mudanças. Mas é possível seguir o caminho da personalização mesmo frente a tantos desafios.

Discutindo, refletindo, argumentando, criando espaços de criatividade para os professores, em ambientes colaborativos, cada escola encontrará uma maneira de personalizar o ensino e proporcionar aos estudantes uma experiência de aprendizagem mais plena.

A personalização inspira o aluno a trilhar um caminho rumo a um objetivo. É bem diferente da aula que é planejada para todos. No modelo tradicional, quando alguma dúvida surge, pode não haver tempo de solucioná-la. O que não acontece quando o aluno caminha de forma única. Para entender um pouco do “como fazer” o ensino híbrido, existe um vídeo (https://www.youtube.com/watch?v=-NHVKbPz158&t=1876s) que conta com o depoimento de uma professora, participante da pesquisa que deu origem ao livro – BACICH, Lilian (Org.). Metodologias ativas para uma educação inovadora: uma abordagem teórico-prática. Porto Alegre: Penso, 2018 – Ela conta como começou a aplicar o ensino híbrido em suas aulas e como foi multiplicadora da proposta em sua escola. Recomendo assistir pois esclarece muitas dúvidas e inspira a dar os primeiros passos.

O aluno do século XXI já nasceu conectado e com mais liberdade e desejo de escolher o que quer aprender. Cabe a nós entender esse novo momento da educação, dar voz a esse aluno e assim transformar a escola. O mundo já mudou, a escola ainda não.