Ricardo Oliveira Colunista da Coluna da Poesia

Não vejo teus olhos,
Nem mesmo tua pele,
Nem sei quem sois,
Quando a brisa toca-lhe os pés!

E tão meiga-flor,
Desapareces como um navio,
A sair pela escuridão,
Sem destino para atracar, então!

Veja, que sou invisível,
E de invisibilidade, entendo,
Pois meu tormento é não ver a essência,
Que carregas contigo, neste mundo adentro.

E falo: – Quão grandiosa vens,
Trazendo um pouco de perfeição?
Do silêncio me convém,
Ser distante do teu coração.

A boca te revelas,
Mas os lábios não os lembro,
Fazendo parte de um verso,
Cantando façanhas do tempo.

Continuo o meu monólogo,
Nos dias em que a noite chega!
De que maneiras me encantas,
Tirando o sono que me golpeia?

Um momento em Tróia,
É desejar aquela quem a amar,
Doce como a história,
Helena vai me deixar!

Então: – Quem surge, tu Pàris?
Um covarde em guerra?
Mas, cujo o ser da amada,
Enfim, arrebatou!

Não sou uma verdade,
Nem lenda a buscar glórias!
Apenas me questiono,
Sim, e agora?

Mergulho em mim mesmo,
Pensando um pouco de ti!
Caminhando me convenço,
Qual beijo, roubarei assim?

Por Ricardo Oliveira