Reportagem do site FloripaCentro constatou que os termômetros usados para o controle de acesso a lojas, shoppings e templos marcam temperaturas corporais de clientes próximas de 35 ºC, bem abaixo da normal, o que põe em dúvida a eficácia da aplicação da norma contra a covid-19 exigida para a reabertura dessas atividades

A 33ª Promotoria de Justiça da Capital instaurou uma notícia de fato e oficiou a Vigilância Sanitária Municipal de Florianópolis para apurar as suspeitas de que a medição da temperatura corporal de frequentadores de templos e de clientes de lojas e shoppings do Centro da cidade não está sendo realizada de forma eficaz para fazer valer uma das principais medidas de contenção ao contágio à covid-19 e exigência das autoridades sanitárias para o funcionamento do comércio e a volta dos cultos religiosos.

 

O procedimento foi aberto após a publicação de uma reportagem pelo site FloripaCentro, que acompanhou durante quase duas semanas a forma como a medida, determinada pelo município como condição para a retomada dessas atividades, estava sendo aplicada pelos estabelecimentos comerciais e pelos templos.

 

Segundo a reportagem, a “maioria dos resultados aponta para uma temperatura abaixo da normal: em torno de 35 ºC, embora a temperatura do corpo humano saudável fique entre 36,5 ºC e 37 ºC”. Em consulta a especialistas, o repórter apurou que, se as medições estivessem corretas, os clientes estariam apresentando um quadro de hipotermia e deveriam ser encaminhados imediatamente ao atendimento médico.

 

Na mesma matéria jornalística, o site afirma que procurou a Vigilância Sanitária Municipal de Florianópolis (VSMF), órgão responsável pela fiscalização da aplicação do decreto municipal que determinou a medição da temperatura corporal dos frequentadores de lojas e de templos, que respondeu que “fiscaliza o método de medição de temperatura, mas não a eficiência dos termômetros”.

 

Como primeira providência no procedimento que apura o caso, o Promotor de Justiça Luciano Trierweiller Naschenweng pede que a Vigilância Sanitária, em até cinco dias, informe que medidas está tomando para iniciar a fiscalização da eficácia do uso dos termômetros e preste esclarecimentos sobre as informações noticiadas.

 

Fonte: Coordenadoria de Comunicação Social do MPSC