Isabela Toledo Colunista da Coluna de Educação

A parceria da escola com a família mudou seu formato. O sonho de levar os filhos à escola, usar a mochila nova, fazer novos amigos, foi frustrado pelo distanciamento social imposto pela pandemia. Agora a escola vai à sua casa.

 

Observe que as escolas não pararam seu trabalho, apenas o modificaram, dando

continuidade às propostas, cuidando do vínculo, propondo atividades de apoio e orientação às famílias, realizando lives para os pais, explicando as intencionalidades das atividades. Tudo amparado pelo Conselho Nacional de Educação, CNE.

 

O CNE traz uma recomendação com força de orientação para as escolas, validando o ensino remoto para a Educação Infantil com o intuito de manter os vínculos estabelecidos e orientando os envolvidos, escolas, professores, famílias e alunos.

 

A harmonia entre os envolvidos é muito importante para minimizar os prejuízos. A maneira como o trabalho vem sendo realizado é o que pode ser feito, visto que o distanciamento foi imposto. Ninguém queria ou planejou trabalhar dessa maneira. Foi uma mudança para preservar a saúde da população.

 

Mas como os pais podem continuar o processo de desenvolvimento da criança e principalmente o seu desenvolvimento educacional (motor, emocional, cognitivo)?

 

É preciso continuar com esse desenvolvimento e ter olhar integral para as crianças cuidando das interações e dos vínculos. Ambas as partes – família e escola – devem se apoiar para não gerar rupturas nas aprendizagens. Por exemplo, as vídeo aulas para a Educação Infantil são extremamente importantes para isso.

 

Agora, mais do nunca, as famílias precisam da orientação do profissional de educação. Não é algo trivial estimular as crianças. Estimulação pede objetivos claros, intencionalidades. Não é tão simples. Por isso a necessidade da escola.

 

A orientação que a escola oferece é fundamental para os alunos. Os pais não vão fazer o trabalho do professor, mas vão ajudar a tirar dúvidas, orientar nas dificuldades, sugerir como agir e fazer.

 

Muitos processos são pertencentes aos profissionais. As escolas vivem uma condição imposta que as coloca nessa posição de fazer educação dessa maneira. Mas, se fosse tão simples, ninguém precisaria da escola, nunca. Seu papel não é de ocupar as crianças. A importância da Educação Infantil é notória e é preciso profissionais capacitados para orientar o desenvolvimento das crianças.

 

Façamos uma analogia com a seguinte situação: quando seu filho tem um problema de saúde, dor de cabeça ou dor de barriga, você conversa com o vizinho, alguém da família e pergunta o que fazer, e se eles indicam alguma solução. A princípio, você tenta seguir as sugestões dessas pessoas, como beber um chá específico, e outras ideias. Mas, se o problema persiste, você não hesita em procurar o profissional da saúde, ou seja, um médico. Assim é na escola. E agora, mais do que nunca, muitos pais estão sem saber o que fazer com seus filhos dentro de casa e como podem ajuda-los nesse período.

 

Apoie-se na escola do seu filho, na coordenação, nos professores. A orientação é muito mais assertiva e coerente. Em situações rotineiras podemos pedimos orientação a outras pessoas, mas elas não sabem a orientação assertiva. Agora, nesse momento único, especial, não dá para pedir opinião para qualquer um. Existem pessoas que podem ajudar mais e efetivamente.

 

Os profissionais de educação estudaram e sabem sobre desenvolvimento infantil. A educação é estruturante. Por traz de toda aula, ação, vídeo, existe uma intencionalidade. E esses vídeos e demais atividades tem a intenção de orientar e manter o vínculo, estimulando as crianças da forma correta e necessária. Ajudam também no equilíbrio emocional das crianças.

 

Um ponto importante a se observar é que ninguém estava preparado para essa mudança, e agora as escolas passaram a usar a tecnologia. Não recomendavam para as crianças pequenas, e agora estão recomendando. Mas observe que antes a tecnologia era usada apenas como distração e agora precisamos quebrar esse paradigma. A forma passiva com que as crianças recebiam a tecnologia, não era benéfica. Agora, existe a intencionalidade pedagógica e a forma ativa com que ela é convidada a interagir com ela. E é orientada e supervisionada pelas famílias. O tempo de exposição também é uma preocupação das escolas e elas cuidam disso oferecendo vídeos pequenos. Percebam que qualidade tem mais valor do que quantidade.

 

Converse sobre seus desafios e dificuldades com a escola. Não deixe para depois e não abandone a escola. Diga o que está dando certo e o que não está. Essa troca é benéfica e vai ajudar inclusive nessa transformação pela qual estamos passando. Não desistam, cada dia é de um jeito. Uns melhores e outros piores. Valorize a escola de seu filho! Não tire seu filho da escola!

 

Comunicado da Folha de Florianópolis