Maryanne Mattos, Colunista da Coluna da Mulher

Peço licença e te convido para esta leitura. Provavelmente, já nos encontramos por aí, e agora estaremos juntos por aqui também, quinzenalmente, conversando sobre assuntos direcionados a todas as pessoas que acreditam que homens e mulheres podem e devem estar lado a lado no caminho que forem seguir.

Quando falo em caminho, no momento em que estamos vivendo, parei para pensar que, hoje, neste dia em que faço essa reflexão, na verdade, não sabemos qual caminho devemos seguir; qual orientação está certa; qual a consequência de cada frase dita e cada ordem dada. Hoje, homens e mulheres, que estão à frente deste país, precisam tomar decisões um tanto difíceis, e um tanto confusas, pois cada atitude levará a consequências um tanto desconhecidas também.

Estamos atravessando a segunda semana de quarentena do Covid-19. A maioria das pessoas em casa, sem poder sair, apenas saindo em extrema necessidade. Pessoas convivendo mais intensamente com aqueles que já compartilham o dia a dia, mas não conviviam tanto. Pais e mães descobrindo o que e como os filhos estão estudando; cuidando dos afazeres domésticos, da alimentação diária, da parada para aquele café que agora nós que iremos preparar e não ir até a esquina saborear. Muitas vezes, durante esse momento, eu via muitos clientes nem sequer dizerem obrigada a quem lhes serviu. É, fomos forçados pelo bem comum a convivermos conosco mesmo. Muitas pessoas não estão suportando sua própria companhia, outras estão amando e outras se reinventando. Mas uma coisa é certa: ninguém imaginava que todas as pessoas deste planeta, digo TODAS mesmo, estariam na mesma situação e de forma paritária, homens e mulheres no mesmo barco.

Hoje nossa agenda é ter paciência. É usar esse tempo para ficar com a família; colocar os seriados em dia; ler aquele livro que por tanto tempo adiamos; pensar nos pequenos detalhes do nosso dia a dia, em como organizar a casa e preparar a refeição, por exemplo. Além disso, é tempo também de ajudar as pessoas que nem sequer têm como alimentar seus filhos, pois a única alimentação era nas escolas ou creches, e estas fecharam para o bem de todos nós. Nada mais justo todos nós ajudarmos quem precisa, mesmo que a distância, com um depósito e/ou uma postagem aumentando a rede de ajuda.

O que eu quero dizer com isto é que vejo tantas pessoas ajudando, e fico feliz! Porém, por outro lado, vejo muitas julgando atitudes dos gestores políticos, apontando o dedo, sendo que estas, em sua maioria, ainda não estão fazendo a sua parte. Está na hora de olhar para si mesmo e perguntar: o que eu estou fazendo para minimizar esse problema?

Fico chocada com mensagens que denigrem funcionários públicos, sendo que, como os autônomos, também sofrem e estão com a sobrecarga de trabalho dobrada, levando toda a demanda para a sua casa e tendo que dar conta de toda a rotina interna da família, junto com o trabalho. Vejo colegas extremamente cansados, além de autônomos desesperados por não enxergar uma luz no fim do túnel, sem se darem conta que essa luz somos todos nós.

Devemos ter sentimento de empatia, amor e acolhimento neste momento. Passamos a consumir de produtores locais; a olhar nossos vizinhos pela janela; a nos conectar pelas redes sociais; e a valorizar profissionais antes nem sequer vistos como necessários à nossa vida. Esta é a hora de nos unirmos e pensarmos no próximo, e não em si.

O que tento ver com tudo isto é que precisamos de união, de homens e mulheres juntos, pensando o amanhã. Gestores políticos unidos, sem vaidades, agindo drasticamente e firmes na preservação da vida de milhares de brasileiros e brasileiras, micros e pequenos empresários tendo amparo do governo para passarem por esse período, como estão sendo feitos em outros países, mas com sua saúde preservada para poderem voltar a produzir com segurança.

Vejo que a solução está em dar e não receber, principalmente do governo: de termos juros zero, e não baixar a taxa. Ninguém deve lucrar e cobrar juros numa situação como esta. Chega a ser desumano, mas ainda estão discutindo isso. Fico com vergonha, de verdade, de imaginar uma ajuda aos micros e pequenos empresários que visa a um mínimo de lucro, que seja com pequenos juros… Juros pra quem e pra quê??? Vamos nos unir para resolver, e não para se promover.

Que Deus proteja todos os profissionais que estão trabalhando e prontos para nos proteger. Que cada um de nós faça a sua parte e siga as orientações de segurança. Que tenhamos força e calma neste momento para pensar nas pessoas e no melhor para o nosso país. Então, se você pode, fique em casa!

Nada vale mais que a vida de cada um de nós. Independente da idade, todos somos importantes; todos valemos a pena; todos merecemos viver. Aliás, todos nós merecemos contar a versão de tudo isto que estamos vivendo para as futuras gerações que, queira a Deus, sejam menos egoístas e violentas. Cabe a nós construirmos hoje o que será o comportamento social amanhã.