Maryanne Mattos, Colunista da Coluna da Mulher

Passam, lavam, cozinham, ensinam, cuidam, desinfetam e ainda trabalham. Já viram como as mulheres são maravilhosas? Quando todos precisam se isolar, se recolher, mudar a rotina, verificar a dispensa de comida, de produtos de limpeza, de remédios… Adivinhem quem organiza a vida e assume esta gestão do caos logístico doméstico? Sim, queridos leitores e leitoras, isto fica para as mulheres, na maioria das vezes. Sabemos que têm exceções, mas a grande maioria das casas conta com a gestão feminina para suprir e organizar tudo o que é necessário para que seja estabelecida uma nova rotina diante da falta da antiga.

Se você é uma pessoa que mora sozinha, não vai fazer tanto sentido o que vou escrever, mas se você divide a casa com alguém, um teto com amigos, pais, avós ou qualquer outro familiar, responda pra mim: quem destas pessoas verifica o que está faltando de comida na sua casa? Quem faz a lista de compras? Quem sabe os remédios que têm na famosa gaveta ou caixinha de remédios? Fala sério, toda casa com mais de uma pessoa convivendo tem um lugar cheio de remédios pra tudo que for dor. Então, quem faz este gerenciamento de tudo para todos na casa?

Pois é, nestes trinta e poucos dias de distanciamento social, verifiquei, através dos grupos que participo, e são muitos mesmo, que nestes que são formados por mais mulheres, os assuntos são, na maioria, gestão de tudo: como resolver os problemas de estudo dos filhos; como usar melhor os recursos de alimentos que temos em casa; como proteger a família. Basta ver a quantidade de mulheres costurando máscaras para doar e até para vender para melhorar a renda familiar. Este período está fazendo com que as famílias passem a conviver 24h por dia e se adaptem às mudanças impostas com esta situação, mas somos nós mulheres que assumimos a gestão de tudo.

Nós mulheres somos uma metamorfose ambulante de verdade: nos adaptamos em meio ao caos para dar conforto as pessoas que amamos e, se temos uma sobra de tempo se quer, ainda doamos esse tempo e talento para acalmar e aliviar a dor de pessoas que nem conhecemos, mas que nos tocam profundamente por ver sofrerem diante de algo que não podemos controlar, que é esse tal de coronavírus e seus desdobramentos na vida de todos nós.

Trocamos dicas de organização da casa; de limpeza; de autoestima; de saúde mental; de alívio mental; e de sobrecarga. Passamos a desabafar e dividir as angústias; buscamos acolhimento; e praticamente rimos para não chorarmos em vários momentos. Essa é a verdade. Vejo mulheres focadas em alavancar os negócios de mais mulheres que estão sendo impactadas economicamente. Vejo mães, feito leoas, querendo ajudar as escolas a melhorarem as ferramentas tecnológicas usadas. E, tudo isso, ao mesmo tempo em que fazem home office, reuniões online, café, almoço, janta, casa, roupa, estudos, lazer…

Cada uma de nós tem seu talento e conhecimento, mas uma coisa em comum: não conseguimos guardar só pra nós tudo que sabemos fazer. Isto é da natureza da mulher. Se eu sei fazer algo que resolve algum problema, vou fazer; vou usar para o coletivo. Se eu posso ajudar com meu conhecimento, vou colocar a mão na massa. Se eu tenho pra dar, darei sem ficar gritando aos quatro ventos como somos bondosas e maravilhosas. Mas quer saber: nós somos mesmo! Tanto somos que os países com melhor resposta nesta luta contra o coronavírus têm algo em comum: mulheres na liderança!

Vejo tanto isso tudo no dia a dia dos grupos de WhatsApp e relato apenas o que sinto nesta quarentena, que cheguei a conclusão, sem desmerecer os homens, longe de mim fazer algo assim, até porque defendo paridade e igualdade social, mas as mulheres são mais práticas, mais econômicas, mais preocupadas com o emocional e bem-estar coletivo e mais resistentes a mudanças radicais de rotinas. E quer saber? A tal dupla jornada feminina, virou tripla ou quádrupla neste período; a incerteza continua por não saber por quanto tempo continuaremos assim. Mas, de um jeito ou de outro, a gente sempre faz as coisas acontecerem, sabe por quê? Porque somos uma verdadeira metamorfose ambulante!