Isabela Toledo Colunista da Coluna de Educação

Já começo explicando que, é claro, uma escola não é uma startup. Escolas já tem o seu modelo de negócio definido e estão estruturadas em sólidos fundamentos (pelo menos pedagógicos), além de já terem conquistado a confiança do seu público/cliente, que entende e acredita que sua existência é essencial à plena formação do ser humano.

Mas para ser considerada uma escola de sucesso, não pode deixar de lado o investimento em inovação. O perigo que persegue as instituições de educação é começarem a se enxergar como executoras de um único papel e que sua forma de trabalho, já estabelecida, funciona e está tudo bem.

É claro que a prática de ensinar e aprender é a essência da escola e deve permanecer ocupando o cenário principal. Mas, ao mesmo tempo em que precisa manter em funcionamento a sua essência, precisa ter visão de futuro, se fazendo ser ágil e inovadora.

Por isso deve ter como referência alguns modelos mentais das startups: adaptabilidade, flexibilidade, foco nas pessoas e não nos processos, investimento em inovação e em tecnologia.

O distanciamento social impôs a todas as escolas o exercício da adaptação ágil e da testagem em tempo e ambiente real de estratégias de trabalho, fazendo com que tudo o que não funcionasse fosse descartado e novas ideias fossem colocadas em prática, até chegarem a um modelo ideal.

Esse movimento, totalmente novo para as escolas, gerou uma reação de estranhamento à sociedade. Até mesmo educadores não perdoaram críticas às aulas ao vivo e à forma como aconteciam e diversas outras práticas introduzidas para se adaptar ao ambiente online.

Em algum momento da história as escolas e professores iriam se transformar digitalmente mas, é sabido que essa transformação era protelada pelo tradicionalismo. Afinal, porque sair da zona de conforto? Por isso a pandemia acelerou e impôs esse processo. Finalmente as escolas entenderam que não há problema em testar novas estratégias e abandoná-las se não funcionarem. O exagero do perfeccionismo impedia um crescimento benéfico.

Os que sempre criticaram o tradicionalismo do ensino, agora criticam as imperfeições dos novos funcionamentos. Não compreendem que essa fase é parte do processo de transformação.

A flexibilidade, outra exigência do mercado, entrou de vez na rotina escolar. Quem imaginaria que alunos do Ensino Fundamental e Médio fariam provas em casa? Quem pensaria em avaliá-los com instrumentos não lineares ao invés de provas tradicionais?

Para não se afastar dos alunos, responsáveis e suas famílias, as escolas tiveram que voltar seus olhares totalmente para eles e adaptar os processos para garantir tanto a parceria quanto a aprendizagem do seu cliente.

Personalizar o ensino, algo ideal para o sucesso do aluno, é outro processo que sofrerá aceleração. Os modelos de ensino híbrido e as metodologias ativas estão sendo mais aceitos e colocados em prática pelos professores, pois muitas dessas metodologias integram o uso de tecnologias, o que é favorável ao momento atual vivido.

O investimento em tecnologia foi substancial nas instituições educacionais. Necessário para fazer funcionar o novo modelo de ensino. E está sendo ainda maior agora, no planejamento do retorno às aulas presenciais, com possíveis transmissões ao vivo e equipamentos adequados de segurança.

A grande questão é se apropriar dessa mentalidade e não abandoná-la mais, mesmo após a pandemia. As escolas que realmente entenderem que a agilidade é a forma mais inteligente de gerenciar suas atividades terão grande sucesso. Mudam o mindset ou deixam de existir.

 

Por Isabela Toledo