Maryanne Mattos, Colunista da Coluna da Mulher

Você já deve ter lido ou ouvido falar nessas três palavras, mas você sabe o que realmente querem dizer e qual a diferença entre elas? Será que estão sendo usadas corretamente?

O feminismo, por exemplo, é um movimento social que luta pela equidade de gênero e de condições entre homens e mulheres para que ambos tenham as mesmas oportunidades, privilégios e direitos. Ou também como costumamos falar: luta pelo estímulo ao empoderamento feminino e à valorização da mulher. Afinal, em outros tempos, a mulher era criada para ajudar em casa, servir ao marido e, muitas vezes, não tinha nem acesso a estudo e participação sociedade. Por conta disso, o movimento surgiu para incentivar a representatividade das mulheres fora de seus lares e em debates públicos, bem como fortalecer o envolvimento delas em decisões que estão relacionadas a elas próprias.

Para facilitar, posso exemplificar dividindo o Feminismo em três momentos: o primeiro foi a luta das mulheres, defendendo, principalmente, a participação ativa na política. O segundo foi quando elas conseguem de fato esse direito, com a oportunidade de votar, a partir de 1918, no Reino Unido. Aqui no Brasil, porém, esse poder foi conquistado somente em 1932. O terceiro, o que estamos vivendo ainda, é de ter acesso efetivo a esses direitos no desenvolvimento de políticas públicas em defesa do bem-estar das mulheres.

No momento, ainda lutamos pra ter voz e vez na sociedade; pelo fim de todas as formas de violência contra a mulher e pela igualdade nas condições de trabalho, pois, segundo pesquisas feitas pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), as mulheres ganham em média 30% a menos que os homens para realizar a mesma função. Posso citar, como resultados positivos que o movimento trouxe para o Brasil, as sanções da Lei Maria da Penha, que prevê punição aos homens que cometem violência contra a mulher, e da Lei do Feminicídio, que classifica homicídios de mulheres como hediondos.

Já por outro lado, temos as mulheres que pregam serem superiores ao sexo masculino, mas estas não são feministas, e sim denominadas femistas. O termo femismo incentiva o ódio e o sentimento de vingança contra o sexo masculino. É marcado por pessoas que costumam desvalorizar e fazer comentários agressivos sobre os homens. Já o machismo, como muitos pensam, não é o contrário de feminismo, mas sim de femismo. Vivemos em uma sociedade machista, onde homens tratam as mulheres com desprezo, opressão e humilhação, e se acham melhores que elas em várias questões. Machista é aquela pessoa que acredita que homens e mulheres têm papéis diferentes na sociedade, que a mulher não pode fazer isso ou aquilo, além de criar uma estereotipização do que é feminino e do que é masculino. Ou seja, machismo e femismo são preconceitos de gênero e estão em extremos.

Enquanto tais termos se superpõem ao sexo oposto, o feminismo tem uma proposta mais isonômica. A pessoa feminista quer o equilíbrio. Se hoje estamos aqui com mais direitos é porque estas pessoas, homens e mulheres feministas, lutaram por nós anos atrás. Meu marido é feminista, eu sou feminista; ele é contra o machismo e o femismo, assim como eu também sou. Ele homem; eu mulher. E ambos queremos uma sociedade repleta de oportunidades e direitos para homens e mulheres, onde meninos e meninas cresçam se vendo como iguais e com respeito; capazes de conquistarem o espaço que quiserem; capazes de sonhar e de cuidarem um do outro num mundo mais justo, fraterno e igualitário.

Ainda não estamos nesse mundo ideal, e a conclusão que fica aqui é de que, hoje, já existem muitos homens e mulheres feministas, mas, não se surpreenda, há sim, infelizmente, mulheres machistas e homens femistas (e vice-versa). Mas, de verdade, espero e desejo que esses comportamentos estejam em extinção, para o bem de todas as pessoas. E também para que sejamos livres de preconceitos, rótulos e estereótipos, que, cá pra nós, estão pra lá de ultrapassados, né?