Ser empático é ver o mundo com os olhos do outro e

não ver o nosso mundo refletido nos olhos dele.

Carl Rogers

Isabela Toledo Colunista da Coluna de Educação

Empatia é um tema em alta hoje em dia. Muito discutido, muito comentado. É uma das competências esperadas para o bom profissional, o profissional do futuro (lembrando que o futuro é agora). A BNCC, um documento extremamente relevante e necessário para a qualidade da educação, trouxe as habilidades socioemocionais como competências a serem desenvolvidas pelas crianças e adolescentes nas escolas brasileiras. Em todas as 10 competências gerais encontramos competências socioemocionais envolvendo: autonomia e autogestão, autoconhecimento, autocuidado, empatia, cooperação, responsabilidade e cidadania. Uma delas explicita claramente a necessidade da empatia.

As 10 competências gerais da BNCC

Competência é definida como a mobilização de conhecimentos (conceitos e procedimentos), habilidades (práticas, cognitivas e socioemocionais), atitudes e valores para resolver demandas complexas da vida cotidiana, do pleno exercício da cidadania e do mundo do trabalho.

A neurociência também traz estudos e contribuições sobre a importância da empatia e como ela muda as relações na sala de aula.

Neurociência e empatia

Só que estamos enfatizando muito a empatia dos estudantes, como ensinar essa competência tão importante mas, e o professor? É preciso também ensinar empatia para o corpo docente. Aliás, empatia também é uma virtude e deveria ser almejada por todos os seres humanos.

Se o professor tem a responsabilidade de ensinar algo, ele precisa, antes de tudo, se apropriar dele. Então, se é necessário que ensine sobre a empatia, precisa começar a exercitá-la também. Isso é transformador! E pode mudar todo um sistema de ensino!

Uma sugestão é que, antes da retomada às aulas presenciais, antes de findar a quarentena, os professores se reúnam, mesmo que virtualmente, para preencherem juntos o Mapa da Empatia.

Antes de começar a ensinar seus alunos, coloque-se no lugar deles.

Mapa de Empatia é uma ferramenta que ajuda a nos colocarmos no lugar dos clientes de um negócio. Foi criada por uma empresa de consultoria de Design Thinking, XPlane, mas pode ser adaptada para a aplicação na relação professor e aluno. Veja:

Essa ferramenta visual ajuda a compreender o aluno com mais profundidade por diferentes prismas. No centro do quadro, está representado o seu aluno. São 6 reflexões diferentes para preencher o Mapa de Empatia:

O que ele ouve?

Aqui é importante refletir o que os amigos do aluno dizem para ele? O que outros professores dizem? Os pais e outros influenciadores? (internet, músicas, programas…)

O que ele vê?

Nesse ponto temos que enxergar o ambiente, ou ambientes, que eu aluno frequenta. Não é apenas uma questão visual, mas tudo que ele tem contato no seu cotidiano. Qual é a sua visão de mundo? Como o que ele vê o influencia?

O que ele pensa e sente?

Como ele percebe a escola? O que ele sente ao entrar nesse ambiente? O que ele sente e pensa sobre os professores? O que o preocupa? Quais são seus sonhos?

O que ele fala e faz?

Como seu aluno age na escola? E fora dela? Quais os seus hobbies? Como ele se veste? Como se comporta?

Quais são as suas dores?

O que ele quer superar? Do que ele tem medo? Quais as suas frustrações? O que pode dar errado?

Quais são as suas necessidades?

O que ele entende como sucesso? Quais são seus objetivos? Que solução se encaixa perfeitamente em suas necessidades?

Você pode criar seu próprio Mapa de Empatia seguindo este modelo, mas se quiser algo pronto para imprimir, acesse https://whatelse184739546.files.wordpress.com/2019/05/empatia.pdf

#dica

Antes de preencher o Mapa de Empatia, e para visualizar melhor quem é seu estudante, crie uma persona. A persona é um perfil fictício que representa o padrão comportamental do estudante na sua escola. Esta também é uma ótima ferramenta para ajudar a avaliar todas as características do aluno e traçar as melhores estratégias para alcançá-lo.

E então? Vai experimentar fazer um Mapa de Empatia? Se o fizer (tomara que faça!), compartilhe suas experiências!

Por Isabela Toledo