Isabela Toledo Colunista da Coluna de Educação

Vivemos a era da informação. Muitas novidades a todo instante. A internet nos oferece todo tipo de conteúdo e isso pode trazer muitos problemas: ansiedade, tempo gasto em coisas que não importam, medo de não saber o que todos estão sabendo, entre outros problemas.

Essa também é a realidade dos nossos alunos. Eles tem acesso a um mundo gigante de informações. Além de ver e ler sobre notícias e entretenimentos, podem até mesmo estudar conteúdos escolares. Por isso mesmo, tem muita gente dizendo por aí que o professor está perdendo o seu lugar.

Mas essa percepção é equivocada. O professor é exatamente aquele que vai trazer a clareza, a tranquilidade e auxiliar o estudante na caminhada do conhecimento. Em meio a tantas informações, que aparecem de todos os lados, é preciso selecionar o que realmente faz sentido, separando o que é bom e o que é ruim, o que é verdadeiro e o que é falso, o que tem ou não relevância. Isso é curadoria. E é o professor quem faz e também quem auxilia na escolha de informações, seguindo critérios de seleção. Além disso, o professor-curador traz sentido a essas informações, criando conexões entre elas e tornando-as relevantes para os alunos.

Um curador é alguém que cuida do outro no sentido de ajudá-lo. Cuida do conhecimento, da informação. Torna disponível para os alunos que realmente importa para desenvolver suas habilidades e competências. Faz com que o relevante se torne inesquecível. É o professor quem ensina a navegar no mar de conteúdos da era atual e que não é apenas reprodutor do que já está disponível, principalmente nas plataformas digitais. Cabe ao professor encantar e seduzir os estudantes, para que eles tenham condições de se relacionar de uma forma diferente com o conteúdo disponível, pare também serem críticos e seletivos. E o bom professor reconhece que o processo de curadoria é recíproco e que os alunos também interagem na curadoria, sendo também curadores. Afinal, ninguém é só educador, e ninguém é só educando. Só é um bom ensinante quem também é um bom aprendente.

Mário Sérgio Cortella reflete sobre essa realidade e nos diz que podemos ter pelo menos duas reações negativas ao nos deparar com a quantidade de informações oferecida atualmente (https://www.youtube.com/watch?v=7Sy9SrbLlKo&t=85s). Ele denomina essas reações de informatofobia e informatolatria.

A informatofobia é o pânico com relação ao mundo digital, como se ele fosse substituir a atividade docente. Mas na verdade, o mundo digital é algo poderoso para ampliar as experiências e possibilidades de aprender e ensinar e, inclusive, deve ser usado para trazer potência à formação acadêmica dos alunos.

A informatolatria é adoração ao mundo tecnológico. É a crença de que ele, por si só, transforma pessoas e orienta comportamentos, dispensando qualquer tipo de análise e discussão. As respostas estarão sempre prontas e disponíveis.

Cabe aos professores rejeitar essas duas reações e encontrar o equilíbrio, mostrando isso também aos alunos. A curadoria também passa por esse cuidado.

Vamos conhecer algumas habilidades do professor-curador:

  1. O professor-curador é aquele que conecta saberes. Aquele que não apenas seleciona conteúdos, mas provoca conexões de sentido entre as informações. Isso traz a criatividade necessária para planejar situações de aprendizagem em que esse processo criativo e construtivo também aconteça por parte dos alunos.
  2. É aquele que contextualiza o conhecimento, não apenas dispondo de seleções interessantes. Mas encantando e envolvendo os alunos para que desejem aprender. É preciso oferecer o entorno do que estamos ensinando. Partir do que o aluno já vivencia também é essencial.
  3. O professor-curador valoriza a diversidade de linguagens, selecionando diversos tipos de gêneros para ensinar: podasts, filmes, imagens, artigos, entrevistas, entre outros. Assim, a sensibilidade e a capacidade interpretativa dos alunos são amplamente potencializadas.
  4. O professor-curador tem critérios de seleção, sabendo separar o joio do trigo para a aula ou experiência de aprendizagem que está criando. Ele pensa no seu objetivo, no tempo necessário e tudo mais que seja importante para a criação daquela aula. Ele consegue visualizar o propósito da aula.
  5. O professor-curador é organizado para guardar seus materiais e registrar suas descobertas. Afinal, nunca se sabe quando vai precisar de utilizá-los. Podem ser cadernos, meios digitais, pastas… Tudo precisa estar bem separado e identificado para ser usado no momento certo.

Desejo ser um curador que torna disponível o que é preciso para que se possa fazer o que emociona e também transforma a comunidade onde vivo.