Isabela Toledo Colunista da Coluna de Educação

Percebo hoje uma quantidade muito grande de planos de aulas disponíveis para os professores. Em sites, plataformas digitais, em livros. É possível encontrar uma oferta enorme de planejamentos prontos com todas as indicações para aplicá-los em seu trabalho. Isso, por si só, não seria um problema. Pelo contrário, tem potencial de ser uma fonte de inspiração e um disparador de ideias.

Porém, o que se vê com muita frequência são professores reproduzindo esses planos de aulas sem qualquer adaptação ou crítica. O pensamento corrente é: “já está tudo pronto, não terei trabalho algum”. Isso também acontece com atividades e exercícios que são entregues para que os alunos os façam. Como eu disse, essa oferta é excelente, mas é preciso saber como se relacionar com ela.

O professor precisa ser mais ousado e assumir um papel crucial na sua profissão: a autoria de suas aulas. Mas o que isso significa? O que é ser um professor-autor?

O professor-autor é o professor criativo. É aquele que assina as aulas, sua produção. Aquele que entende a diferença entre “preparar uma aula” e “criar uma aula”. Quem cria, prepara a aula, mas nem sempre quem prepara a aula, foi o seu criador. Compreende a diferença?

O processo criativo precisa valorizado e estimulado. A aula é um processo relacional, onde o aluno se torna co-autor. Quando se cria uma aula, é preciso compreender que é uma obra inacabada. As interações e reações ativas dos alunos completam o sentido da aula. Daí a necessidade de investir nesse processo criativo.

Algumas dicas para se tonar um professor-autor:

  • Assuma o seu estilo. Seja você mesmo enquanto dá suas aulas. Não tente ser outra pessoa, porque isso não vai dar certo. Se você é engraçado e gosta de descontrair em suas aulas, não tente ser aquele professor sério focado nas técnicas e no controle da classe. O contrário também é verdade. Ao dar suas aulas, seja espontâneo. É claro que um estilo pode ser trabalhado e construído, mas ele precisa sempre estar em harmonia com sua personalidade.
  • A criatividade é um compromisso, uma atitude. Não acredite em fórmulas para se tornar criativo e nem acredite que a criatividade é um dom. Ela é na verdade um exercício. É como dizia o cartunista Henfil: “A criatividade é um cachorro, um doberman, bem atrás de você”. Ou seja, ela pode ser árdua e trabalhosa, mas precisa acontecer. Você não tem escolha. Compreende? Pense nisso.
  • O lugar onde você cria suas aulas, precisa ser o seu ateliê de criação. Um cantinho inovador. Pendure frases motivadoras na parede, mensagens inspiradoras, deixe seus livros organizados. Coloque coisas que você sabe que irão ajudá-lo a criar. O ambiente pode influenciar você!
  • Valorize o potencial das ideias estranhas. É preciso compreender que dar força a uma ideia fraca é muito mais difícil do que tentar diminuir a loucura de uma ideia extraordinária. Não tenha medo de errar. Se não der certo, basta não continuar a fazer daquela maneira. Mas… E se for incrível? Arrisque-se!
  • Seja afetivo e pratique a empatia. Procure se colocar sempre no lugar de seus alunos, imaginando o que eles pensam, se gostam dessa tarefa e como reagiriam. A acolhida é essencial no processo de aprendizagem.
  • Não tenha medo de mudar. Tenha coragem! influencie os outros! Seja inovador!
  • Não deixe de usar o conteúdo disponível na internet, como os planos de aula prontos e atividades. A diferença é ver tudo isso como ponto de partida para o que você precisa oferecer à sua turma de alunos. Use como material inspirativo pois, cada turma é única e tem realidades e vivências diferentes.

O que mais você acredita ser essencial ao professor-autor?

Por Isabela Toledo