Isabela Toledo Colunista da Coluna de Educação

A pandemia que enfrentamos modificou toda a estrutura da sociedade, nossa forma de pensar e ver o mundo, mudou nossas prioridades e afetou até mesmo alguns valores. Hábitos mudaram e novas práticas surgiram e foram adotadas. Mudanças tão drásticas e disruptivas que, com certeza levaram a desequilíbrios.

Qualquer um que acompanhe as notícias publicadas na mídia se preocupa não só com a doença que provocou todas essas mudanças, mas com as consequências da nova organização social: aumento dos casos de depressão, suicídio, aumento da violência doméstica (contra a mulher e contra as crianças) e desemprego. Além disso existem as consequências que envolvem as escolas como por exemplo, queda no desempenho acadêmico dos estudantes e jovens longe dos círculos de amizades.

Imagine o jovem adolescente no meio de tudo isso. É difícil para todo mundo, mas para eles talvez seja mais complicado. Estão em ainda em formação emocional, conflitos internos de diversas naturezas, em momento de importantes decisões para sua vida. Em uma fase onde os grupos de amigos são os mais importantes, ele está em casa, afastado de todos. A única possibilidade de manter seus vínculos é através da internet. Já pensou o que isso pode trazer para seu futuro?

Os novos hábitos, que para nós são uma transição que pode ser compreendida e planejada, para os jovens estão consolidando formas de pensar e de agir que podem prejudicar seriamente sua autoestima e relacionamento com os outros.

 

O que pensar sobre tudo isso? O que fazer diante de tudo isso?

 

As escolas, sendo os locais onde os jovens passam a maior parte de seu tempo e de onde surgem a maior parte dos seus relacionamentos, precisa estar atentas a tudo isso. Não podem simplesmente organizar o pedagógico, refazer o calendário e seguir a vida. Precisam antes se conectar com esses jovens e criar espaços de acolhida e escuta.

 

A primeira semana da retomada, seja como for (ainda não sabemos como será), precisa ser planejada para trazer conforto, direção, orientação. Os primeiros dias precisam ser de escuta e de conexão.  Somente assim os professores poderão reiniciar a jornada acadêmica, com as devidas avaliações diagnósticas e o replanejamento.

 

E o que poderia ser feito então?

 

As escolas já podem começar a criar os canais de escuta, mesmo que virtualmente, com rodas de conversa com profissionais especializados. Isso seria uma preparação, mas não substituirá o encontro presencial com esses mesmos profissionais quando as aulas retornarem.

 

A primeira semana deve ser considera como o início de tudo, como se fosse o primeiro dia de aula do ano, mas com o agravante das fragilidades emocionais e dos desejos de desabafo e compartilhamento de experiências.

 

A equipe pedagógica precisa se reunir para traçar o perfil desse “novo aluno” e compreendê-lo. Isso pode ser feito utilizando-se da ferramenta “Mapa de Empatia”. Ajuda muito. Depois disso, uma reunião de “brainstorm” para traçar as estratégias de acolhimento e ações concretas. Acredito que uma programação especial para o primeiro dia, algumas ações regulares para o primeiro mês e a manutenção de tudo até que o ano letivo se encerre seja um bom caminho.

 

Essas ações e estratégias precisam nascer em cada escola pois as realidades são diferentes. Vamos pensar sobre isso e ajudar os jovens a superarem suas crises e seus medos!