Márcia Eufrásio, Colunista de Coluna Mente Saudável

Observar e compreender o comportamento humano é muito interessante.
Notamos que muitas emissoras apostam em programas onde, em razão de
audiência, as pessoas são colocadas “dentro de um aquário” em tempo real e a
sociedade fica assistindo o comportamento e as reações de cada um diante
das mais variadas situações.

E fica-se ali, em frente a televisão por horas analisando os comportamentos das
pessoas. Odiamos alguns, torcemos por outros, aplaudimos e rimos dos
“barracos”. É um grande entretenimento para a população.
O que mais me chama a atenção é como a população gosta de perceber e
julgar o desequilíbrio emocional do outro e ver o outro sofrendo. Aquela pessoa
normal, que não sofre tanto, que gerencia suas emoções e pára para pensar e
agir antes de tomar uma atitude não dá muito ibope. E por que então gostamos
de ver o sofrimento e descontrole dos outros?

Um dos motivos que levam uma grande parte da população agir desta maneira,
é que “se sentir no controle”, “poder julgar o outro sem ser julgado”, faz as
pessoas se sentirem melhores com elas mesmas. Muitas destas pessoas
sofreram durante a sua vida e foram lesadas emocionalmente e
inconscientemente “descontam” no próximo.
Quem não ouviu claramente de uma pessoa próxima satisfação em ouvir
desgraças, tragédias e um sorrisinho no rosto ao falar sobre o sofrimento de
alguém?

Geralmente recebem pouca afetividade dos pais na infância no que diz respeito
a amorosidade, atenção, cuidado e respeito e isso foi reforçado durante sua
trajetória de vida.
Isso não significa que todas as pessoas que passaram por estas dificuldades
desenvolvem este tipo de comportamento. Mas estamos aqui falando apenas
das pessoas que desenvolveram um comportamento sádico onde sentem
prazer em saber que o outro também está sofrendo.
Como a maioria dos sádicos são pessoas sofridas, estar tendo a chance de
analisar e julgar o outro por um programa de televisão é uma forma de
minimizar a própria infelicidade, pois quando o outro perde, ele se sente
melhor.

Saborear e rir (mesmo que mentalmente) da infelicidade ou do descontrole
emocional do outro é sem dúvida a maior prova de desamor e respeito pela
natureza humana.
Somos todos iguais e o maior compromisso que temos com a gente mesmo e
com as pessoas é desenvolver um comportamento ecológico onde a felicidade
do outro, também é a minha felicidade.

Deseja que eu responda alguma pergunta ou dúvida? É só enviar um e-mail
para: contato@marciaeufrasio.com.br . Um grande abraço e ótimo domingo.

Por Márcia Eufrásio