Isabela Toledo Colunista da Coluna de Educação

A tecnologia, o uso de dispositivos e máquinas e o ensino de ferramentas e aplicativos, não são novidades quando se fala em inovação na Educação.

Desde que eu cursava o Ensino Fundamental 2, na década de 1990, já se falava sobre isso e existia até uma discussão sobre aceitar trabalhos digitados ou não. Meu professor de História, o Fábio, era um dos únicos “mais modernos” que aceitava nossos trabalhos digitados e com capas interessantes, com imagens inseridas. A única questão é que deveríamos explicar como inserimos as imagens e o caminho para fazer tal proeza, provando assim que foi feito por nós, e não por um adulto. Aí estava tudo certo. A preocupação se dava no campo do uso de computadores e ponto final.

 

Mesmo que existissem discussões no campo acadêmico, isso não chegava a todas as escolas de forma prática. A tecnologia na Educação significava o uso de instrumentos considerados tecnológicos e dessa forma, as escolas que conseguiam adquiri-los eram as mais inovadoras.

 

Mas, com o passar dos anos foi sendo constatado que a tecnologia estava inserida nos processos educativos, mas de forma periférica, secundária, opcional. Até sermos atropelados pela pandemia, a tecnologia era uma ferramenta complementar dentro do processo educativo. No máximo era um suporte para professores e nada mais.

 

Hoje, enquanto fazemos história no cenário da educação, percebemos que a escola perdeu muitos anos ignorando a aprendizagem e o consumo criativo da tecnologia. Sempre com um discurso de que as crianças deveriam ser afastadas das telas, pois isso era prejudicial à sua formação. Com a pandemia, foi obrigada a mudar o discurso para continuar existindo em meio ao distanciamento social. Isso aconteceu porque a escola percebeu que a tecnologia ajuda na criatividade e deve ser usada quando há, não só a interação, mas também e produção de algo.

 

“As crianças do mundo todo estão passando cada vez mais tempo diante de telas: brincando com videogames, enviando mensagens aos amigos, assistindo a vídeos e pesquisando informações. As tecnologias envolvidas nessas atividades, e aquelas encontradas na loja de brinquedos, são incrivelmente criativas. Contudo, na maior parte dessas atividades, as crianças apenas interagem com as tecnologias, e não criam com elas. Se queremos que as crianças cresçam como pensadoras criativas, precisamos proporcionar a elas diferentes maneiras de envolvimento com as telas, oferecendo mais oportunidades de criarem os próprios projetos e expressarem as próprias ideias.” (página 41 de “Jardim de Infância para a Vida Toda: Por Uma Aprendizagem Criativa, Mão na Massa e Relevante para Todos” by Mitchel Resnick).

 

Toda a dificuldade que se vê hoje na escola online é fruto da procrastinação da própria escola em investir na educação tecnológica de seus professores e alunos. Há tempos venho insistindo na urgência de se inserir a programação e o pensamento computacional nas escolas. Espero que agora essa necessidade tenha sido percebida e que o futuro seja mais coerente com a geração interativa que ocupa nossas salas de aula.