A pesquisa vai analisar e comparar os cinco últimos anos “pré-Covid” (de janeiro de 2015 até dezembro de 2019) com os dados de janeiro a dezembro de 2020, período marcado pela pandemia. “Por sermos hospital de referência na gestação e parto de alto risco, recebemos nos plantões mulheres em estados clínicos agravados, mesmo sem o diagnóstico de Covid. Queremos analisar essa situação e comparar os dados atuais com o período imediatamente anterior à pandemia e determinar se as restrições do acesso aos serviços de saúde interferiram com os índices de morbidade (doenças) e mortalidade maternas e perinatais (período que vai da 22ª semana do feto até o 28º dia completo após o parto)”, explica a ginecologista e obstetra do HC Débora Leite, que coordena o estudo, também conduzido pelos médicos Elias Melo, Aline Maranhão e Dirce Santos.

Para Débora e seus colegas de pesquisa, a gravidade da pandemia Covid-19 observada em gestantes pernambucanas (e em brasileiras, como sinalizam outros estudos em andamento) pode ter sido provocada pelas características agressivas da infecção sistêmica nos casos graves da Covid. Porém, os pesquisadores não descartam que o acesso inadequado ao pré-natal (seja porque muitos serviços paralisaram suas atividades, seja porque as mulheres não compareceram por medo) ou aos serviços de urgência podem ter impactado definitivamente na piora da assistência materno-infantil no período.

“Será importante investigar também essas causas que tangenciam a pandemia para que erros não aconteçam numa nova situação extrema, com a Covid ou outra doença. Essa análise poderá ajudar a definir quais estratégias devem ser adotadas no futuro. Entendemos que a assistência à gestante e ao recém-nascido são serviços essenciais a uma população”, pontua Débora Leite.