“A Nova Guiné é a maior ilha tropical do mundo e abarca a mais rica biodiversidade insular do planeta. Essa é também a ilha tectonicamente mais complexa do mundo, abarcando um mosaico de ecossistemas, desde florestas úmidas até campos de altitude, incluindo grandes picos como a Pirâmide Carstensz, com 4.884 m”, explica o professor Gustavo.

De leste a oeste, a ilha abriga a terceira mais alta cordilheira do mundo, atrás apenas dos Himalaias e dos Andes, sendo que a ilha se encontra hoje dividida entre dois países: a parte oriental constitui o país Papua Nova Guiné, enquanto que a parte ocidental é controlada pela Indonésia.

Desde o século XVII, enfatiza o professor, os botânicos têm procurado identificar, descrever, nomear e classificar as plantas da Nova Guiné, sendo que a maior parte do legado botânico da ilha encontra-se conservado em instituições localizadas na Holanda e na Inglaterra.

“Mais recentemente, herbários locais começaram a se desenvolver na Nova Guiné. Contudo, apesar dos notáveis avanços nas últimas décadas na resolução da taxonomia de muitas plantas locais, as publicações continuaram dispersas, pois os botânicos trabalhavam de maneira independente entre si. Na falta de esforço unificador para executar um levantamento das plantas da região, permaneceram grandes incertezas sobre quantas espécies de plantas ocorrem na Nova Guiné. Assim, a Nova Guiné permaneceu sendo a “Última Fronteira” do estudo da biodiversidade”, aponta Gustavo.

Nova Guiné

O estudo apontou a Nova Guiné como a ilha com a mais rica flora do mundo, com 13.634 espécies de plantas conhecidas.

“Notavelmente, 68% das espécies de plantas da Nova Guiné são endêmicas, ou seja, ocorrem apenas nessa região, o que indica que a Nova Guiné deve ser uma prioridade para a conservação da biodiversidade global. Esse estudo reforça que o conhecimento taxonômico especializado é essencial nos dias atuais, uma vez que essa investigação evidenciou uma grande quantidade de erros críticos em todos os bancos de dados disponíveis até então sobre a flora da Nova Guiné, sendo que o uso dessas informações incorretas implica em prejuízos irreversíveis para o entendimento e a conservação da biodiversidade global”, expõe o pesquisador.

Os resultados têm muitas implicações, segundo Gustavo. “Cientificamente, esse levantamento florístico executado e revisado por taxonomistas especialistas melhorará a precisão dos estudos biogeográficos e ecológicos, ajudará a direcionar o sequenciamento de DNA a grupos ricos em espécies com altos níveis de endemismo, e facilitará a descoberta de mais espécies novas por taxonomistas”, afirma.

Quanto à metodologia, as avaliações expeditas e eficientes como essa podem servir, enfatiza o professor, como modelo para acelerar a pesquisa noutras regiões com alta biodiversidade.

“Em termos de políticas públicas relevantes à conservação ambiental, esse estudo mostra que o apoio institucional e financeiro a longo prazo é fundamental para que avanços significativos e resultados efetivos sejam alcançados na preservação da biodiversidade”, completa.

Especialistas estrangeiros, como o professor da UFMS, foram os principais responsáveis pelos estudos da flora de Nova Guiné, o que, na opinião dos autores, ressalta a necessidade e a importância de se formar e financiar taxonomistas nos países tropicais mais pobres.