Isabela Toledo Colunista da Coluna de Educação

“O currículo precisa estar ligado à vida, ao cotidiano, fazer sentido, ter significado, ser contextualizado. Muito do que os alunos estudam está solto, desligado da realidade deles, de suas expectativas e necessidades. O conhecimento acontece quando algo faz sentido, quando é experimentado, quando pode ser aplicado de alguma forma ou em algum momento.” José Moran

 

A forma de organização dos currículos das escolas está profundamente enraizada na segmentação das áreas do conhecimento. Não pretendo abrir uma discussão sobre esse fato. Nem mesmo propor uma alternativa disruptiva ao modelo atual. O que proponho neste artigo é uma reflexão sobre meios de sintonizar os currículos com as expectativas dos nossos alunos.

Em todos os colégios nos quais trabalhei sempre incentivei os professores a iniciarem seus cursos apresentando aos alunos as definições de seu componente curricular e o propósito de estudá-lo. Depois disso, o ideal seria que toda a turma se envolvesse em uma atividade prática de aplicação daquilo à sua vida, para entender a conexão entre a teoria e a prática. Acredito que isso demonstra respeito à criança e ao jovem que ali está, sem muitas vezes compreender o porquê.

Não é possível desejar um aluno protagonista, sujeito, personagem principal sem fazer com que ele se sinta pertencente ao grupo e ao momento escolar vivido. Porém, somente essa atividade de início de ano, não garante que o aluno consiga articular os vários conteúdos estudados entre si e ainda descubra o sentido deles para sua vida.

É preciso repensar a forma do trabalho pedagógico. Mostrar a interdependência entre os diversos ramos do conhecimento. Para isso é preciso um trabalho conjunto de coordenadores e professores, promovendo a interdisciplinaridade.

A palavra ‘interdisciplinar’, deriva da palavra ‘disciplinar’ que faz referência à organização do currículo por disciplinas, matérias ou áreas do conhecimento. Quando acrescentamos o prefixo ‘inter’ incluímos o conceito de interação, de dependência ou interdependência, de integração. Ou seja, apenas analisando a formação da palavra ‘interdisciplinar’ já podemos compreender como esse conceito se aplicaria à prática pedagógica.

Segundo José Moran, “o modelo disciplinar está condenado ao fracasso a longo prazo. Dividir o conhecimento em fatias, sem interligação, favorece a organização administrativa, não a aprendizagem, que é vista cada vez mais como interdisciplinar” (MORAN, 2007, p.24).

Encontramos variadas propostas de interdisciplinaridade nas escolas da Educação Básica. Muitas delas baseadas nas metodologias ativas e no uso das tecnologias. Alguns exemplos são a aprendizagem baseada em problemas, baseada em projetos, trabalho com times auto-organizáveis e estudos de casos.

Com as possibilidades de organização pedagógica e aprendizagem ampliadas pelas tecnologias, a flexibilização do currículo compartimentalizado é real!

“O que está claro é que, com a flexibilização do ensino e aprendizagem que as tecnologias possibilitam, o currículo também pode ser muito mais adequado a cada aluno. Não podemos continuar impingindo aos alunos a mesma sequência de conteúdos, tempo e espaço que dominou na sociedade industrial” (MORAN, 2007, p. 24).

É urgente promover a reflexão e a discussão desse assunto junto aos professores, coordenadores e diretores e repensar o trabalho pedagógico. Para alcançar a geração interativa e manter a escola relevante no século XXI é preciso amar a mudança, a flexibilidade e a adaptação. Características essenciais aos sujeitos do novo século. Essenciais a todos nós!

 

Referências:

MORAN, José Manuel. A Educação que desejamos: Novos desafios e como chegar lá. Campinas: Papirus, 2007.

Artigo: Interdisciplinaridade – Um novo paradigma curricular. Disponível em: https://www.construirnoticias.com.br/interdisciplinaridade-um-novo-paradigma-curricular/ Acesso em: 05 de setembro de 2020