O Brasil é o terceiro maior exportador mundial de produtos agrícolas. No entanto, precisa importar cerca de 75% dos fertilizantes que usa na produção de grãos. A preocupação em buscar novas fontes de matéria-prima para o agronegócio motivou a reunião realizada no último dia 20, envolvendo o Ministério de Minas e Energia (MME), o Ministério de Agricultura (MA) e o Serviço Geológico do Brasil (SGB-CPRM).

Em pauta, os estudos mais recentes do Serviço Geológico do Brasil sobre as áreas com potencial para exploração de minérios que servem de matéria-prima para fabricação de insumos agrícolas. Trabalhos relativos aos chamados agrominerais foram apresentados ao ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, à ministra da Agricultura, Tereza Cristina, e ao secretário de Geologia e Mineração e Transformação Mineral do Ministério de Minas e Energia (MME), Alexandre Vidigal de Oliveira.

O SGB desenvolve projetos de pesquisa sobre o fosfato e o potássio, dois dos principais insumos para a agricultura, que juntamente com o nitrogênio, constituem a formulação NPK. Segundo dados da Associação dos Misturadores de Adubo do Brasil (Ama), 55% do fosfato e 96% do potássio são importados. Além disso, possui diversos projetos sobre remineralizadores de solo, que possibilitam a recuperação das áreas para plantio, a partir do uso de descartes da mineração, que se tornam um produto importante para a agricultura.

De acordo com o presidente do Serviço Geológico do Brasil, Esteves Colnago, o novo entendimento de ocorrência de fosfato e potássio abre um caminho para melhorar o resultado do setor agrícola na balança comercial, reduz o custo e amplia o acesso aos fertilizantes, beneficiando a agricultura do país. “Projetos estruturais que investigam áreas com potencial para hospedar ocorrências minerais consideradas estratégicas são desenvolvidos pelo SGB. São considerados estratégicos os bens minerais dos quais o Brasil depende de importação em alto percentual para o suprimento de setores vitais de sua economia. É o caso dos insumos agrícolas”, explicou Colnago.

“A mineração e a agricultura têm uma estreita relação. A agricultura é responsável por 21% do Produto Interno Bruto (PIB) e pela geração de mais de 21% dos empregos do Brasil. A maior produção de commodities agrícolas depende também da oferta de fertilizantes. Trabalhamos, nos últimos anos, na avaliação potencial de fosfato, potássio e agrominerais, com o objetivo de subsidiar esses setores tão importantes da economia brasileira”, destacou o diretor de Geologia e Recursos Minerais do SGB-CPRM, Márcio Remédio, durante a apresentação dos resultados dos estudos e novas propostas de trabalho.

Na projeção para a próxima década, a produção agrícola do Brasil vai saltar dos atuais 250,9 milhões (2019/20), para 318,3 milhões de toneladas, incremento de 27%. Tendo em vista este panorama, é fundamental para o país ampliar suas pesquisas voltadas para insumos agrícolas, tanto para produção dos fertilizantes convencionais (NPK e outras formulações), como para fertilizantes alternativos. “Hoje o agronegócio precisa muito de estudos sobre os minérios relacionados ao NPK. Precisamos trabalhar nesse sentido. É um problema de segurança nacional. Se não caminharmos para que isso aconteça, podemos represar o desenvolvimento da nossa agricultura”, declarou a ministra da Agricultura, Teresa Cristina.

O ministro Bento Albuquerque, por sua vez, ressaltou a importância do trabalho que o Serviço Geológico do Brasil tem realizado em busca de viabilizar insumos tão necessários para o desenvolvimento do Brasil. “O Brasil é conhecido mundialmente por ser uma potência agroambiental. Mas o fato de sermos quase 100% dependentes dos insumos de fertilizantes, ameaçam o nosso crescimento. Por isso, a nova proposta do Serviço Geológico do Brasil é tão importante, já que a CPRM trabalha na base da cadeia de produção de vários setores que fomentam a riqueza do país”, ressaltou. O ministro lembrou que minimizar a dependência de minerais importados e promover a pesquisa tecnológica e a inovação na produção de remineralizadores e sua aplicação na agricultura, são metas do Plano de Metas e Ações 2020/2023, do Programa Mineração e Desenvolvimento, apresentado pelo MME em julho/2020.