Isabela Toledo Colunista da Coluna de Educação

Aprendemos muito nos últimos cinco meses! A Educação Básica on-line nos mostrou que nossas desconfianças e inseguranças com relação à tecnologia, à internet e à distância física não precisavam ser tão grandes. Na verdade, esses meses foram até libertadores em muitos aspectos. Digamos que a pandemia colocou uma lente em nossas práticas e mostrou muitas coisas que já não estavam dando tão certo, mas que ninguém via, ou não queria ver.

Aprendemos que o modelo de aula expositiva, pouco engajador e interessante, precisava dar lugar às práticas de ensino mais ativas que envolvem o estudante. O foco passou a ser na aprendizagem e não nos processos. Passou a ser muito mais fácil e rápido ver que uma aula não estava dando certo e os alunos desinteressados.

Aprendemos que gostamos muito de ver uns aos outros. Os alunos estão quase sempre com as câmeras desligadas e o contato “olho no olho” passou ser raridade. Tanto que quando os alunos resolveram contar até três e abrir as câmeras em suas aulas, fizeram vários professores chorarem de emoção. Para quem não sabe, essa prática viralizou nas redes sociais, entre os jovens e muitas classes planejaram esse momento surpresa para seus mestres.

Aprendemos que o papel de mediador de aprendizagem é um dos mais importantes para os professores, acompanhando, observando, orientando, e avaliando o que está acontecendo. Muito mais que dar aulas, foi preciso orientar os estudos autônomos dos estudantes. O olhar do professor passou a ser muito mais individualizado.

Aprendemos que a colaboração é essencial para o sucesso de qualquer coisa. Os trabalhos em grupo, antes até evitados por muitos docentes, passaram a ser um excelente método de trabalho com resultados incríveis. É possível colaborar sem estarmos juntos. Os estudantes se apropriam a cada dia de habilidades importantes como autogerenciamento, flexibilidade, adaptação e negociação.

Aprendemos que os alunos mais tímidos podem se manifestar de outras formas nas aulas. Se não querem falar, podem escrever. E isso foi muito bem aceito.

Aprendemos que a avaliação pode ser feita de diversas formas e que isso funciona! Por que ficarmos presos às provas escritas? Podemos verificar a aprendizagem através de instrumentos não lineares e mais inovadores.

Aprendemos que é possível fazer uma escola que gaste muito pouco papel e outros tipos de materiais escolares pedidos nas listas. É possível diminuir o peso das mochilas e flexibilizar o número de cadernos atualmente exigidos para os estudantes.

Aprendemos que aulas assíncronas funcionam e podem ser muito interessantes até mesmo para os alunos mais jovens. Eles podem acessar quando quiserem e até mesmo rever as aulas quantas vezes precisarem.

Aprendemos que os smartphones devem ser incluídos como ferramentas de ensino e de aprendizagem. Que existem muitos aplicativos que auxiliam nos estudos. O celular não pode ser proibido, a questão central é ensinar a usá-lo.

Aprendemos que o ambiente virtual tem regras de comportamento que precisam ser ensinadas aos estudantes.

Aprendemos que, para aprender, não precisamos estar na mesma sala, ouvindo a mesma aula e fazendo as mesmas atividades.

E o que vamos fazer com tudo que aprendemos? Já pensou sobre isso?