Isabela Toledo Colunista da Coluna de Educação

A movimentação para o retorno às aulas presenciais já começou e as escolas precisam estar atentas à realização das avaliações diagnósticas que vão fornecer informações precisas sobre o nível de conhecimento adquirido pelos estudantes durante esse ano tão difícil. O que fazer com essas informações é a chave para recuperar o que ficou perdido.

O primeiro passo é reunir a equipe pedagógica, professores e coordenadores, e fazer um levantamento minucioso das habilidades essenciais que deveriam ser adquiridas em cada turma que a escola possui. Após o levantamento dessas habilidades, listar os conteúdos que mais favorecem o desenvolvimento de cada uma delas, procurando ser o mais interdisciplinar (ou até mesmo multidisciplinar) possível, para favorecer os estudantes.

A partir desses levantamentos, os professores poderão produzir uma avaliação. Considerando que o objetivo é verificar a aquisição das habilidades essenciais, uma mesma proposta pode contemplar mais de uma disciplina. É muito importante compreender que esse procedimento está alinhado com a BNCC. Se as escolas se concentrarem em listas de conteúdos, será difícil diagnosticar e mais ainda elaborar um plano de recuperação eficaz.

Quanto ao formato da avaliação, podem existir diferentes propostas. A mais tradicional, a prova escrita, por ser de grande familiaridade ao trabalho dos docentes atuais e também dos estudantes, talvez seja a melhor escolha. Mas nada impede que aconteçam entrevistas em pequenos grupos; resumos escritos ou gravados em áudios ou vídeos, elaborados a partir de uma excelente pragmática fornecida pelos professores; avaliação em estações de trabalho onde em cada estação seja verificada uma habilidade essencial; enfim, cada escola precisa adequar o que é necessário acontecer à sua realidade cotidiana.

Vale lembrar que os protocolos de segurança precisam ser seguidos e isso afeta as escolhas para essa avaliação. Por isso vale à pena considerar também fazer essa avaliação de maneira online, em pequenos grupos. Isso é possível e já observei escolas agindo assim com sucesso, identificando problemas e já conseguindo resolvê-los.

É muito importante também que o aluno tenha autoconsciência de sua condição acadêmica. Não basta que os professores tenham as informações. O aluno precisa conhecer os dados coletados pois a sua recuperação depende de um trabalho de parceria entre ele e a equipe pedagógica.

Após esses primeiros passos, chegou o momento da elaboração de um plano de estudos individual. Esse plano deve ser personalizado contendo esclarecimentos e atividades para realizar e testar as habilidades. O aluno cumprirá esse plano sozinho, em casa.

Essa modalidade de recuperação mantém o aluno estudando sozinho, longe de seus professores. Por isso, seria interessante que a escola criasse espaços para tirar dúvidas e onde o aluno possa fazer perguntas. Na prática, os estudos autônomos continuam fazendo parte da recuperação acadêmica, mas é importante ampliar as possibilidades dos estudos dos alunos. Proponho aqui duas ofertas interessantes: (1) plantões tira dúvidas (organizados conforme necessidade de cada escola e turma); (2) monitorias (para as disciplinas que exigem mais raciocínio, acompanhamento em cálculos e muitos detalhes, como matemática, física, química e biologia).

Vale enfatizar que o ensino parcialmente online e parcialmente presencial acompanhará a rotina da educação básica e por isso também gosto da ideia de gravar pequenos vídeos, com a explicação bem específica, clara, localizada e esclarecedora de conteúdos escolares. Assim, o aluno pode assistir quantas vezes quiser e já resolver muitas de suas dúvidas.

Por fim, as escolas não podem se esquecer de que as emoções afetam diretamente o rendimento escolar. Criar um espaço de apoio emocional e orientativo, para que o estudante persista e não tenha vontade de desistir, que o motive a continuar e vencer será um grande diferencial para o sucesso e a conquista de uma aprendizagem plena.

Mãos à obra!