Por tanta nostalgia que invade absurdamente minha vida interior, passo a estar  em um estado, cada vez mais, menos espiritualizado. É as desvantagens de quem, em seu momento de devaneios, não pode ver as correntes águas da cachoeira de seu coração. Uma busca incansável pela tal de perfeição me assusta o fato de não reconhecer, as suntuosas memórias póstumas. O tempo já avisa a hora certa de por as estrelas em seu lugar. Porém, os escritos já não são mais os mesmos de outrora.

Outrora vem com o cheiro de tudo que não existe. Apenas as recordações incorporadas em um recipiente chamado de inconsciência. Quantas memórias surgem à tona a partir dos objetos guardados? A esperança de um dia ter de volta, um pedaço do que se fora. Penso naquele acedo, onde me instigou a por a mão na massa e a começar a prática dos saberes, mas agora, nem ter arquivado, e nesse momento, trazido de dentro para fora, amenizou a falta de não sintonizar meu ego ao ego daquela infanta.

Ó consolo meu! Acaso és mais forte do que a brisa que perpassa meu ser? Tens se infiltrado nas coisas que são só minhas somente para prestar condolências sem ter uma morte que falha a pena. Ainda te peço, por obsequio, não tenhas pena de mim.
Sabeis que o esquecimento faz parte do ser humano e não há resistência contra isso.
Supostamente, meu sepulcro não estar nem comprado, nem pago, nem descrito, então,
te jogues de um penhasco, lá onde os urubus conseguem chegar.

Quando se der o encontro absoluto com a razão, podes me consolar, pois, aí, minha alma já estará profundamente perdida. Ah, infanta! Não te renego ao olhar que tenho sobre ti! Sempre que houver nosso encontro, permaneças com teu sorriso e teu jeito de me dá os maiores sentimentos ao acenares com tuas fabulosas mãos. Assim, lagrimejadas lembranças, me visitarão e, me consolarás através delas, antes que eu seja desconectado deste mundo não-poético. Não és herdeira da coroa do rei da Espanha ou Portugal de outra época, pois sendo princesa, não és filha!

Por: Ricardo Oliveira.