Isabela Toledo Colunista da Coluna de Educação

Desde que li o livro “Mindset: a nova psicologia do sucesso” fiquei impactada com o fato de que a atitude mental com que encaramos a vida é um fator determinante para o sucesso. Parece óbvio, mas não é. Na prática não damos a devida atenção às próprias atitudes e essa leitura me levou a fazer uma retrospectiva analítica da minha trajetória como estudante, como profissional, mãe, esposa, filha… Sim! Porque desejamos sucesso em todas as áreas da vida. Mas depois de tanto pensar sobre a minha própria vida, fiquei pensando sobre os estudantes e seus resultados de aprendizagem.

Paralelamente à leitura do livro, vivi uma experiência nova em minha casa: meu filho primogênito começou a diminuir o rendimento no colégio. Notas baixas começaram a aparecer, médias perdidas, pouca motivação. Eu jamais imaginara passar por isso. Ele sempre foi um aluno brilhante, entre os melhores da classe. Sempre me orgulhei de não ter feito (nunca!) tarefas de casa com ele, pois fazia tudo sozinho e correto. Mas, ao chegar ao 6º ano, os problemas começaram.

Hoje entendo que muitos fatores contribuíam para o que estava acontecendo. Quem sabe um dia eu tenha a oportunidade de escrever a história completa. Mas, neste artigo, quero destacar o que precisei trabalhar incansavelmente com meu filho: esforçodisciplina e persistência.

Quando se quer alcançar uma habilidade, só existe um caminho: a combinação desses três elementos – esforço, disciplina e persistência.

O sucesso de um estudante é algo almejado por todos: pela família, pela escola, por ele mesmo. A família investe na criança e no jovem. A escola oferece infraestrutura, bons professores. E o estudante faz a sua parte se dedicando ao estudo, cumprindo tarefas de casa, realizando as leituras. Então surgem duas perguntas:

1) Por que alguns (poucos) se destacam de maneira extraordinária?

2) Por que alguns, que demonstram potencial, não conseguem sair da média e, às vezes, em casos extremos, abandonam os estudos?

Acredito que essas duas posturas estejam relacionadas à atitude mental com que eles se enxergam e o que podem ou não alcançar em suas vidas. É o que Carol Deweck, da Universidade de Stanfor, conceituou em suas pesquisas como “mentalidade de crescimento” ou “mindset de crescimento”.

A capacidade de aprender não é rígida e pode mudar com seu esforço.

Será que poderíamos ensinar às crianças o funcionamento do cérebro, como ele se modifica e promove sinapses e conexões quando é desafiado a solucionar problemas? Será que assim poderiam ser encorajadas a se empenhar e perseverar quando erram? E se acreditassem que o fracasso não determina o fim das tentativas?

Acredito que as escolas que desejam ter estudantes exponenciais precisam ensinar o mindset de crescimento.

As escolas precisam ensinar o esforço, a disciplina, a perseverança, a determinação, a garra!

Em um mundo onde é muito mais fácil resolver coisas simples do que antigamente (eu por exemplo, quando criança, precisava levantar do sofá para trocar de canal. Hoje basta pedir à “alexa” que escolha seu filme favorito e deixe no ponto antes mesmo que você chegue em casa) , muitos jovens e muitas crianças não sabem que, quando algo dá errado, podem tentar novamente até conseguir (ou simplesmente não querem tentar).

Esse mundo castigou algumas mentes que, mesmo sendo incríveis, preferem desistir diante do desconhecido, do difícil. E isso faz com que vivam como “a média”. Só se torna um estudante exponencial que tem uma atitude exponencial. Só quem sabe que os erros e problemas ensinam. Só quem sabe que habilidades são conquistadas, não nascem conosco. Só quem tem um mindset de crescimento.

O desafio é como ensinar isso às crianças. Eu topo esse desafio. E você?