Contigo revelaria o mar e o entregaria para morares, pois, não há criatura
sublime tão bela quanto tu, que te apresentas na forma de sereia. Apenas posso
contemplar teus olhos e teus lábios nas manhãs e, à tarde, somente quando há
possibilidade enxergar teu sorriso inefável. Mas, se eu leva-se o mar para te banhares,
tuas barbatanas surgiriam, numa metamorfose inexplicável, meus sonhos se
desmanchariam em lágrimas.
E por que isso? Pela saudade. Esta que nos embriaga de pesadelos nas noites
em que o ar gélido passa pela janela aberta, na intenção de não me deixar dormir. Essa
é a razão: todo ser metade peixe e metade humana, em sua mitologia, abandona a terra
que não é o lugar, a fim de que, volte para as profundezas de sua própria poesia. E eu,
na agonia, não seria mais poeta.
Isso me desolaria interiormente. Ainda bem, que não és a sereia da antiguidade,
porém, meus sentidos se entrelaçam com a poética de tua beleza, sem ao menos, ter
uma chance de escrever para te fazer companhia. Quando o teu nome invade a alma
das palavras, é a minha alma, corrompida pelo desejo, a ser invadida pelas razões e
sensibilidades. Razões por ter a mente conduzida por tua lembrança involuntária e,
sensibilidade, no qual, mexe com todo o meu ser, numa força explosiva, pelo qual, se
abri para qualquer detalhe de tua movimentação celestial humana.
Como ainda não sei o seu nome, então, fico no anonimato seu. Fico com o que
os ventos vêm trazer a minha morada: um exame de visões proféticas de silabas, na
ternura de rabiscar um pouco nas curvas do querer desvendar a letra do mistério de
seu registro de nascimento. A plenitude do tempo existe, mas não convém mensurar.
Por isso é que obedeço à ordem de espera! Quem sabe no futuro próximo, de alguma
forma, eu possa caminhar num tapete da primavera, construído a partir de suas
próprias mãos.