Força de ânimo e coragem na adversidade servem para conquistar o êxito, mais que um exército.(John Dryden)

Venho de uma família de pessoas apaixonadas pelo processo educativo. Professores, diretores, escritores, fundadores de escolas… Em ambos os lados: pai e mãe. Cresci brincando nos gramados das universidades, bebendo café nas salas dos professores, ajudando a distribuir provas e exercícios aos alunos de Engenharia da PUC Minas, visitando todos os prédios da UFMG enquanto meu pai dava aulas. De vez em quando era permitido que eu desenhasse no cantinho do quadro negro. Ainda na minha infância, minha mãe fundou a primeira escola e era lá que passava muitas de minhas tardes, observando bebês mamando, crianças brincando e treinando as primeiras letras.

Rotina escolar não era uma novidade para mim e foram muitos os sentimentos que tive tanto como estudante quanto como filha de professores. Percepções mais profundas das situações escolares, experiências mais marcantes e conversas com mais conteúdo foram determinando minha maneira de pensar a educação. Eu ainda não tinha consciência disso, é claro, mas anos depois compreendi que minha formação começou bem cedo.

Coragem sempre foi minha marca pessoal.

Apesar de toda essa vivência decidi cursar Comunicação Social. Era o ano de 1998, o mesmo ano em que meus pais fundaram a segunda escola (aprovada em 1997, iniciou os trabalhos em 1998 com aproximadamente 30 alunos). Eu estudava à noite e, durante a tarde, duas ou três vezes por semana, dava aulas de musicalização nessa escola para os pequenos estudantes da Educação Infantil. Era um trabalho voluntário, mas acabei por receber um convite de uma outra escola e não recusei. Coragem sempre foi minha marca pessoal. Eu ainda não sabia, mas o medo é inimigo do crescimento.

No ano seguinte a escola cresceu e foi preciso fazer novas contratações. Vendo a aflição de minha mãe por não encontrar uma professora para a turma do Maternal III e o ano letivo batendo às portas, me ofereci para ajudar: “Se quiser assumo a turma até que encontre alguém”, foi o que eu disse. O que eu não sabia era que aquela atitude mudaria completamente o rumo da minha vida!

O medo é inimigo do crescimento.

Naquele ano ainda era permitido lecionar no maternal sem qualquer formação ou curso preparatório. Mas bastou um mês para que eu decidisse que precisava aprender mais. Me matriculei num curso de magistério pós-médio e minha rotina ficou pesada: acordava às 05h30 para cursar magistério, lecionava à tarde e fazia faculdade à noite. Ânimo! Não é possível crescer e aprender sem esforço e sacrifício.

No ano seguinte precisei novamente de muita coragem: abandonar o curso de Comunicação Social no quarto período e iniciar uma nova caminhada. Mas eu tinha certeza da escolha que estava fazendo e assim me tornei aluna do curso do Pedagogia. A partir daí foram anos lecionando como professora do Ensino Fundamental, participando da implantação de cada série (a escola teve um crescimento gradativo, aumentando uma série por ano), me tornando referência na escola, assumindo, paralelamente às aulas, a coordenação para depois me dedicar completamente a ela. Foram anos de cursos, congressos, palestras. Cresci profissionalmente junto com a escola. Trabalhei com formação de professores, escola de pais, produção de material. Fiz pós-graduações e inclusive,

a primeira delas, junto com meu pai e alguns dos engenheiros que me conheceram anos antes: TI aplicada à educação. Uma experiência maravilhosa.

Ânimo! Não é possível crescer e aprender sem esforço e sacrifício.

Após alguns anos de carreira passei à administração escolar. Não foi uma época fácil, pois minha mãe se afastou do trabalho por questões de saúde. Mas nunca tive medo de desafios. Hoje, com mais de vinte anos de carreira, vivi conquistas, sucessos e também fracassos. Mas foi exatamente tudo isso que me fez ser a profissional que sou hoje. Para mim, estamos sempre em transformação: sempre é tempo de aprender, sempre é tempo de retomar, sempre é tempo de crescer. O segredo é nunca se sentir satisfeito no degrau em que estamos. A escada não tem fim e pretendo sempre subir com muito ânimo e muita coragem!

Existe sempre uma versão melhor do que a atual! Não se esqueça disso!