Aline Decker

Uma das vertentes da liderança que eu acredito é na gestão humanizada. Mas isso tem um preço. Vou falar um pouco mais sobre isso… Eu construí uma rotina de gestão, com base em inúmeras conversas e benchmarkings que fiz (obrigada demais se você foi um deles). Nessa rotina, eu sempre planejo no máximo 60% da minha agenda semanal. Desse jeito, eu tenho tempo livre para qualquer imprevisto e também para estar sempre disponível para o time quando precisarem de mim.


Esses 60% de agenda alocada, envolve:
. fazer as reuniões,
. fazer conversas individuais com foco em desenvolvimento,
. analisar diariamente as planilhas de métricas (para ver se
estamos perto ou não de bater as metas),
. olhar as agendas da equipe,
. gerenciar projetos pontuais, como um lançamento,
. manter relacionamento com pessoas parceiras (prestadores de
serviço, mentores e etc.),
. fazer alinhamentos com as outras áreas,
. contratar pessoas.


Os demais 40% da minha semana são para dar feedback, perguntar se tá tudo bem com a vida das pessoas do time, estar disponível quando me chamarem para desabafar ou pedir ajuda… essas coisas. Falando agora das conversas individuais e dos alinhamentos pontuais com o time, que tipo de conversa a gente tem?


. Como está sua vida pessoal? tem alguma coisa te preocupando? você tem algum feedback para me dar? quais são os seus desejos de carreira? como eu posso te ajudar a conquistá-los? o que está ocupando espaço na sua cabeça?

E nessas conversas, às vezes, entramos em assuntos extremamente profundos, porque o que eu percebi é que na maioria matadora das vezes, o que impede as pessoas de darem resultado, de entregarem as coisas não prazo… Não são as habilidades técnicas, mas sim as crenças, as angústias, os medos. E eu busco criar um ambiente seguro para que as pessoas não tenham medo de ser Julgadas ao falar a verdade. Elas podem ser autênticas. E desse jeitinho aí, eu vou me envolvendo e sendo conquistada pelo o ser humano que está ocupando um cargo dentro da minha equipe.


Mas isso não acontece do dia para a noite.
Vem desde euzinha, no dia que eu não estou bem, mandar uma mensagem para a equipe
sendo verdadeira e falando que não estou legal nesse dia; De reconhecer que não vou conseguir sozinha e que preciso da ajuda deles… Esse tipo de coisa.


Qual o resultado de tudo isso?
Uma equipe foda. De resultado. Quase como uma tribo, sabe?
E nós realmente somos!


Que confia um no outro e reconhece as próprias falhas sem medo de ser repreendido. Ver aquela pessoa se desenvolvendo e crescendo mentalmente e financeiramente. Conquistando coisas que ainda não tinha conquistado. E por que, afinal, teria um preço a ser pago por ter uma gestão humanizada? Recentemente eu tive que desligar duas pessoas do time. Duas pessoas que eu criei um laço absurdo…


… pelas conversas difíceis. Já choramos nas reuniões… essas coisas todas.
Eu não conseguia dormir. Mas eu sei que demitir faz parte do meu papel como líder.
Então eu o fiz. Não me preocupei em ser durona… fingir que estava firme, séria.

Eu me engasguei mesmo. Chorei na hora de demitir. Mesmo sabendo que era o que tinha que ser feito. Eu amo eles! Depois, eu comuniquei ao time. Todos ficaram tristes, mas buscaram ajudar um ao outro.


Eu estava muito mal. Era nítido no meu rosto… Mas a equipe estava lá para me acolher. E isso não tem preço. A sensação que tenho, depois de desligar pessoas com quem eu tanto me envolvi é igual
a de um término de namoro, sabe? Aquela sensação de “eu sei que tinha que ser assim”, mas relembro a pessoa, os momentos bons. Aí choro baixinho, com uma saudade quietinha, sem ninguém ver.


É um sentimento de: Eu tenho certeza absoluta que essa dor vai passar. Mas enquanto
ela tá presente, ela dói. Rasga. Esse é o preço. Se eu escolhesse não me envolver tanto com o time, seria mais fácil e eu não precisaria passar por “términos de namoro”. Mas, ao mesmo tempo, eu não teria o prazer de formar seres humanos incríveis para o mundo, ser acolhida todos os dias e saber que a escolha que eu faço, de me importar com as pessoas, tem um poder de transformação sem igual.

Por Aline Decker,
Gerente de Marketing no EAG Empresa Autogerenciável