O Brasil não pretende mudar uma vírgula de sua estratégia diplomática com os EUA de Joe Biden, mesmo sob o risco de intensificar o isolamento político do país. Em entrevista à Bloomberg, o chanceler Ernesto Araújo refutou qualquer mudança por parte do governo brasileiro e disse esperar um esforço de “compreensão mútua” para evitar problemas no relacionamento bilateral. Ele também minimizou as preocupações ambientais da comunidade internacional com o Brasil, “exageradas pela mídia local e internacional”. O Valor publicou uma tradução da entrevista.

O problema é que a análise do chanceler, como quase todas feitas por este governo, não corresponde à realidade. No UOL, Carolina Marins ouviu especialistas em relações internacionais prevendo que a administração Biden deverá colocar o Brasil de Bolsonaro como “vilão” na agenda climática internacional, não apenas por conta dos tropeços de Brasília no tema, mas também pela impopularidade de Bolsonaro no exterior.

“Isso é uma pauta que agrada às elites norte-americanas”, disse o professor Pedro Feliú (USP). Segundo ele, a pressão de Biden sobre o Brasil é uma estratégia com possibilidade dupla de sucesso doméstico. “Se der certo, ele traz o troféu para casa e fala ‘eu mudei o comportamento do Brasil na Amazônia, o que é fundamental para o mundo’. Se o Brasil não se comportar, o troféu será o endurecimento das relações com o país desmatador”.