O médico francês Didier Rault, autor do primeiro estudo envolvendo a hidroxicloroquina para o tratamento da Covid-19, publicou na última sexta-feira, 15/01, um artigo se retratando e admitindo que seu trabalho continha falhas de avaliação. A publicação acontece um mês depois do Conselho Nacional da Ordem dos Médicos da França apresentar contra Raoult e outros sete médicos, por charlatanismo.

O artigo da Sciece Direct, plataforma que conta com aproximadamente 2500 revistas científicas e mais de 26000 e-books admite “excluir seis pacientes de nossa análise pode ter enviesado os resultados”. A publicação também afirma que a necessidade de oxigenoterapia, transferência para UTI e óbito não diferiu significativamente entre os pacientes que receberam hidroxicloroquina (HCQ) com ou sem azitromicina (AZ) e nos controles com tratamento padrão apenas.

O Conselho Nacional da Ordem dos Médicos da França apresentou no começo de dezembro uma queixa contra seis médicos, incluindo Didier Raoult, por charlatanismo. Dentre as acusações contra o cientista estão declarações “controversas” sobre a epidemia de Covid-19, além da recomendação do uso da cloroquina, mesmo quando estudos ao redor do mundo mostravam que o medicamento não trazia nenhum benefício para pacientes infectados com a doença.

O trabalho de Rault, publicado em fevereiro de 2020, serviu de base para os defensores do medicamento como forma de tratamento precoce para a doença causada pelo novo coronavírus em todo o mundo, como por exemplo os presidentes dos EUA e Brasil, Donald Trump e Jair Bolsonaro. Isso mesmo depois de entidades como a Organização Mundial de Saúde (OMS), a Food And Drugs Administration dos EUA (FDA, em inglês) e a Agência de Medicamentos da União Europeia (EMA, em inglês) abandonarem estudos com o medicamento por riscos e ineficácia.