A poluição do ar é uma doença silenciosa que afeta a maior parte dos brasileiros, principalmente aqueles que vivem em áreas urbanas. Uma pesquisa divulgada pelo WRI Brasil mostrou um dado chocante: a cada ano, cerca de 51 mil brasileiros morrem por doenças decorrentes ou intensificadas pela exposição a altos níveis de poluentes.

Os impactos da poluição do ar na saúde estão conectados com a incidência de mortes prematuras, doenças pulmonares e cardiovasculares, acidentes vasculares cerebrais, disposição ao câncer e ao diabetes, além do prejuízo do desenvolvimento cognitivo em crianças e demência em idosos. Um complicador no caso brasileiro é a falta de monitoramento dos índices de poluição na maior parte do país: menos de 100 dos 5.570 municípios brasileiros (1,7%) possuem sistemas de acompanhamento, a maioria no Sudeste. Na prática, isso significa que a maior parte do Brasil não tem informações sobre as condições do ar respirado por seus cidadãos. Assim, a maioria dos brasileiros não sabe que está enfrentando um risco potencial à sua saúde.

Um estudo da UNIFESP estimou que as medidas de isolamento social adotadas no começo da pandemia na cidade de São Paulo evitaram cerca de 802 mortes por conta da redução da poluição. Os autores analisaram os índices de poluentes no período entre 16 de março e 14 de junho de 2020, comparando-os com o mesmo período no ano anterior. Além das mortes prematuras evitadas, o isolamento social possibilitou de quase R$ 4 bilhões em custos relacionados à saúde, com a menor pressão de pacientes com doenças cardiorrespiratórias na rede pública – o que abriu espaço para o atendimento de pacientes com COVID-19.