Um dos principais símbolos do sincretismo religioso do Brasil, a Iemanjá conhecida nos dias de hoje é o resultado de uma grande mistura de culturas. Com origens no povo Egba, na Nigéria, onde é chamada Yemojá, foi inicialmente cultuada como a divindade dos rios, da fertilidade e da maternidade. Em Cuba, onde também é venerada, seu nome significa mãe cujos filhos são peixes (yeye ma ajá).

Conta a lenda que para escapar dos desejos do orixá Orungã, Iemanjá foge em disparada mas durante a corrida cai sobre a terra e, de seus seios rompidos, nascem dois lagos, o sol, a lua e diversos orixás. Por isto é conhecida como Mãe de todos os Orixás e Mãe do Mundo. Os orixás são as divindades africanas capazes de dominar as forças da natureza.

Devido à imigração forçada dos povos africanos, Iemanjá chega ao Brasil e se torna a divindade dos mares. Recebe outros nomes, entre eles Dona Janaína, o qual remete à Iara e a forma guarani do seu nome, Y-jara. Iemanjá também é conhecida como a Afrodite brasileira por ser a protetora dos apaixonados.

Durante as celebrações de Ano Novo, Iemanjá costuma ser reverenciada pelos brasileiros que levam oferendas para o mar e saltam sete ondas, fazendo um pedido à orixá a cada salto dado.

O que ela representam para a sociedade?

No início dos estudos sobre a psicanálise, Carl Gustav Jung criou o conceito de arquétipo. Ele afirma que todas as pessoas estão sujeitas à padrões que se repetem progressivamente e se encontram guardados no inconsciente coletivo, sendo passados de geração em geração. Esses padrões se manifestam através do instinto, dos sentimentos e do comportamento de cada um.

Tendo em conta este conceito, não é a toa que a Rainha do Mar apresentam características tão semelhantes, pois apesar de terem surgido em diferentes culturas, elas possuem as mesmas características simbólicas femininas.

Cada deusa, nas diferentes mitologias, representa uma faceta distinta da mulher. As divindades relacionadas com a água costumam representar duas características femininas fundamentais para a propagação da vida: a sensualidade e a maternidade. A água é essencial para gerar vida, assim como o ventre da mulher.

Elas também adquiriram características ameaçadoras, pois representam os verdadeiros perigos das correntezas dos mares e dos rios, tão belos, mas também arriscados. Assim como as belas e perigosas Rainhas do Mar.