Não muito longe de te ver com o véu de noiva, adentrando as partas de um palácio dourado, em um mundo totalmente diferente do nosso. Este mundo é invisível aos olhos humanos, até que com a ruptura da morte, ela se torne visível à beleza de cada alma. Nem em sonhos, consigo te encontrar tão suave quanto os cisnes a nadar pelo lago azul de meus escritos utópicos. Revelas ser a mesma de antes, porém, deixastes a loucura por milésimos de instantes…

Com a face delicada como as rosas brancas do campo, nos quais, tenho apreço, te mostras mais terna das musas templárias, só construídas por minhas mãos, a cada inspiração vindas a qualquer hora, sem preço algum de pagamento ou contribuição. Jamais pensei em casamento. Um poeta tem seus sentimentos, extravasados nas urnas de si mesmo, esbanjando luminosidade nas poesias.

Afasta-te de mim, doce sedução que me acalma nas madrugadas sombrias! Não te quero reconhecer como noiva minha, pois assim, viveremos em paz. Já estamos juntos há doze anos, faz necessário apenas sentirmos um ao outro, e isso não basta? Envolves-me com tuas carícias e me cobres com o ósculo da verdadeira manifestação da paz. Embora, eu tenha evitado esse acontecimento, outro dia, me surges desejando o que nego.

Em ebulição… Espero, no alto de uma montanha no Mundo Poético, ouvir teus passos tocarem o chão do templo sagrado, na certeza de que seremos um só. É preferível despertar de meu sono, para acreditar nesta miragem desértica. Quem pode amar teus lábios, loira Poesia, cuja alma se expressa por meio de linguagem, se não este que vos abrir as portas de um vilarejo nosso? Ninguém!

Quando me dei conta, percebi tuas lágrimas, derramadas em uma sepultura. Fecho meus olhos e contemplo tuas pálpebras de maneira estranha. Elas não se moviam mais. O colorido mudara para preto e branco, como se uma sobra devasta-se meu sol e minha lua impiedosamente. Banhada de uma mentira desastrosa se confirmou que estavas gélida e pálida para quem sempre buscou o amor. Chamei-te para a vida. Mas era tarde demais. A negação de um simples ato de casar-se te tirou de mim. Quem precisaria ser salvo, não eras tu, mas meu espírito.