Depois de quase um ano sem aulas presenciais com os alunos nas escolas públicas catarinenses, o dia de 18 de fevereiro de 2021 vai marcar o retorno de estudantes às unidades da rede estadual de ensino. Novas regras de convívio para prevenção da Covid-19 foram estabelecidas e o ensino remoto continuará sendo uma opção para os pais que preferirem manter os filhos em casa.

É o caso da dona de casa Micheline Dias de Aguiar, moradora de Palhoça, na região da Grande Florianópolis. Ela ainda não pretende mandar o pequeno Gabriel para frequentar as aulas presenciais do segundo ano do Ensino Fundamental. “A fase mais difícil, que, na minha opinião, é a alfabetização, já foi comigo em casa. Agora acredito que será mais tranquilo no segundo ano. Ele vai estudar em casa”, afirma a mãe.

O que pesou na decisão de Micheline foi o fato de Gabriel ter bronquite asmática. Ela conta que, desde pequeno, o menino apresenta crises graves e, por isso, ela não se sente segura. Além dele, outras pessoas da família também apresentam fatores de risco para a Covid-19. “O coronavírus é uma doença perigosa e já que eu tenho a oportunidade de ficar em casa, não tem por que arriscar. A parceria dos professores e da direção da escola é ótima e com a gente, o modelo de ensino remoto funcionou”, avalia a mãe.

“A gente precisa da escola”, diz mãe que optou por mandar os filhos presencialmente

Em Biguaçu, na Grande Florianópolis, Ana Paula Espíndola, mãe de Pedro (9° ano) e Emanuel (3° ano), relata que a decisão sobre o retorno para a escola também foi permeada por dúvidas e análises envolvendo toda a família. “Em 2020, ficamos muito apreensivos e, agora em 2021, decidimos que o medo não vai nos vencer. Optamos por tocar a nossa vida, tomando todos os cuidados. A vida precisa voltar ao normal e a gente precisa da escola”, explica.

Ana conta que sofreu ao acompanhar as dificuldades que os filhos enfrentaram com as aulas on-line. Apesar de conseguirem entregar todas as atividades e receberem o apoio dos professores, a mãe diz que não foi fácil se adaptar ao novo modelo, em casa. “Eles sentem muita falta disso aqui, da escola, da sala de aula, do contato com os amigos. Estou muito feliz que eles poderão retornar à escola. Para todos nós da família, isso serve também para renovar a esperança de que nossa rotina vai voltar ao normal, com todos os cuidados”, comemora.

Para o retorno dos filhos à escola, a mãe afirma que será ainda mais rigorosa com os protocolos sanitários de prevenção ao novo coronavírus.

O retorno às salas de aula também é bastante aguardado por professores como o Luiz Donizete Antunes. Ele dá aula de Geografia para alunos dos anos finais do Ensino Fundamental e do Ensino Médio e conta que a distância do ambiente escolar, por causa da pandemia, foi um momento desafiador. “Não foi difícil me adaptar às ferramentas do ensino remoto, porque eu já dominava bem a tecnologia, mas minha angústia era saber se todos os meus alunos conseguiriam aprender como deveriam”, desabafa o professor.

Para Antunes, o retorno às salas de aula neste ano ainda vai exigir adaptações. “Eles precisam entender que ainda será diferente, que tem de respeitar as regras e cuidar da saúde. Mas é muito importante que eles não desistam e, juntos, possamos superar esse momento, entregando o que temos de melhor para que tudo volte ao normal em breve”, aposta.

Para atender pais e alunos tanto do ensino presencial, quanto do remoto, as escolas da rede estadual de ensino passaram por uma série de adaptações e reforços dos protocolos de prevenção à Covid-19. As atividades serão desenvolvidas em modalidades 100% presencial, misto e 100% remoto.

O maior número de alunos terá aulas no modelo misto, com alternância dos grupos que frequentam a escola e dividido em dois momentos: o “Tempo Escola”, que consiste no atendimento presencial na unidade escolar com turmas subdivididas em grupos, e no “Tempo Casa”, que consiste em atividades na plataforma digital Google Classroom ou por meio da retirada das atividades impressas.

“Estamos trabalhando para garantir uma retomada presencial segura e democrática, baseada em três pilares: estrutura física, de pessoal e equipamentos de proteção individual. Se em alguma escola essas três condições não forem atendidas, naquela unidade o retorno será no modelo remoto”, explica o secretário de Estado da Educação, Luiz Fernando Vampiro. Para isso, o secretário informa a ampliação do 0800 644 7890, que funcionará das 7h até 19h, um canal aberto com a comunidade escolar para sanar os possíveis problemas.

Investimentos

Desde 2020, os investimentos na compra de EPIs para a rede estadual chegam a R$ 8 milhões. Os materiais que estão sendo entregues às escolas incluem um milhão de máscaras, álcool em gel, incluindo 23 mil dispensers e quatro mil tótens para distribuição, 3,5 mil termômetros digitais infravermelhos e 22 mil protetores faciais (face shield).

As normativas que estabelecem o regramento do retorno das aulas presenciais estão previstos na lei nº 18.032/2020, aprovada pela Alesc e que reconhece a educação como serviço essencial no Estado, pelo decreto nº 1.003/2020 e pela portaria 983/2020.

Esses regramentos têm como base o Plano de Contingência para Educação (PlanCon), que foi apresentado à sociedade ainda em setembro. O documento detalha em oito cadernos os protocolos necessários para o retorno seguro às escolas e foi construído em conjunto com 15 entidades, incluindo o Ministério Público e duas comissões da Alesc, complementado pelo Comitê Técnico-Científico da Defesa Civil.

É de responsabilidade da Vigilância Sanitária Municipal, Vigilância Sanitária Estadual, Polícia Civil, Polícia Militar, Corpo de Bombeiros Militar do Estado de Santa Catarina, fiscalizar os estabelecimentos com o objetivo de garantir o cumprimento das medidas sanitárias exigidas.

Foto: Julio Cavalheiro / Secom

Internet gratuita para alunos e professores acessarem atividades remotas

Os alunos e professores da rede estadual também terão internet cedida pelo Governo do Estado para acessar as ferramentas educacionais utilizadas no ensino remoto, como a plataforma “Google for Education”. O contrato assinado com as operadoras de telefonia para adquirir pacotes de dados para acesso à internet pelo celular pode chegar a R$ 900 mil por mês e beneficia mais de 550 mil usuários.