Ouço o cantar dos pássaros, como se quisessem se comunicar comigo, me dando as notas certas para que a minha alma possa se elevar até o nível mais alto e, construir uma nova Carta. Nunca sei ao certo, no

que dará as linhas de um texto, nem mesmo o seu tema livre de amarras, apenas vou escrevendo, através do lampejo de ideias. Conservo em mim, os rabiscos do que venho a escrever, pois nisso eu consisto.

No som de uma música, nos traços de um livro, na meiguice de uma musa, tudo se renova com a natureza e seus afluentes. Algo tão místico assim, me fascina, ao ponto de continuar meditando, sempre na possibilidade de estar internamente, me questionando. Para ser um pouco absurdo, porém, absurdo é negar este mistério. Mistérios, no qual vivo e amo de todo o meu espírito. Um romantismo, sem ser a época.

Esse romantismo, ainda existe, só para aqueles que conseguem experimentá-la pedaço por pedaço, enquanto pensa e vai se deixando transparecer em suas obras. Busco na poesia a forma mais simples de viver. Não que eu queira fazer dela meu suporte emocional, contudo, ela me equilibra, porque não vem de mim, um poeta cheio de imperfeições, mas com a proteção do Criador. Amo minha amada como ninguém!

Já não me conheço, aliás nunca me conheci verdadeiramente. Somente quem desconhece a si mesmo, tem a beleza de não ser vaidoso/a, assim, evitando a tentação e a luxúria de um coração insano. Ceder à razão é ser cético demais. Ceder ao desejo, me convence a consumir o ser humano a se aprisionar numa espécie de libertinagem da alma, levando-a a ser quem ela não é. Isso, a faz se corromper, de maneira eterna.

Enquanto vou desenhando esses nebulosos sentimentos, (manifestações da iluminação), posso muito bem, sentir entrar em minha pele, o cantarolar do silêncio. Tomara-me morrer em minha própria existência, sendo um pequeno romancista, em qualquer dia, enlouquecendo nas páginas de uma lágrima, rica em versos textuais. Porque compreendo, ser definitiva, meu adormecimento com seus lábios.