Uma tempestade de areia que varreu grande parte do norte da China cobriu a capital do país, Pequim, com uma densa nuvem laranja de poeira, reduzindo a qualidade do ar na cidade para os menores níveis desde 2017. O cenário é parecido com “ar-pocalipses” comuns na capital chinesa até alguns anos atrás, quando o acúmulo de poluição atmosférica causada pela indústria cobria o céu e dificultava a respiração das pessoas nas grandes cidades do país.

Como o NY Times destacou, nos últimos anos a China conseguiu reverter essa situação, mas a retomada da atividade industrial pós-pandemia, associada com o impacto contínuo da mudança do clima nos desertos do norte do país e uma tempestade de inverno, criou uma verdadeira crise ecológica em Pequim. A Bloomberg também ressaltou o peso do aquecimento da indústria: mesmo antes da tempestade, a qualidade do ar de Pequim já estava piorando, impulsionada principalmente pela queima de combustíveis fósseis como o carvão. Desde o ano passado, o governo chinês tem flexibilizado as restrições para construção e operação de usinas termelétricas a carvão no país, com o objetivo de gerar eletricidade mais barata para alimentar a demanda industrial crescente depois do baque causado pela COVID-19 no começo de 2020. CNN e Reuters também destacaram a situação do ar na capital chinesa.