Assola-me neste instante, O temor pelo qual desmorona meus sonhos,E um palácio construído pelos meus sentidos, Mas, que antes, era um cálice de cristal,No qual eu tomava as essências das rosas, Plantadas nos jardins de um paraíso, Agora, transformou-se num objeto fúnebre, Cujo sangue é a bebida intragável da consciência, Uma vez que, somente a posso beber, Diariamente, tendo as cores desta manifestação, A escuridão como fonte inesgotável de quem sou!

“Que recebe as noticias no whatsapp? Entre no grupo AQUI

Vejo-me queimar-me inteiramente neste inferno de Dante, Estando diante do Demônio a engolir meus pecados, E nisso, já não mais posso ser encontrado, Porque hoje, perco-me num mundo tão inferior, Quanto o convencimento de estar sobre os seus domínios, Vivendo a punição de um único crime praticado: O de esconder-me sob um manto do esquecimento. Este a provar-me de antemão, O quanto o ato sublime de negar a mim mesmo,Acaba por negligenciar a absoluta verdade, Mantida constantemente aos elfos e fadas, No interior do inebriante coração do mistério.

Todavia, sois o anjo revelador do alto de uma montanha,Onde o poema liberta-me das aparências, A cobrir-me novamente, novamente, Como um miserável déjà-vu a desfigurar o meu rosto! A quem deseje na imensidão do oceano, Procurar dentro de uma concha, A pérola a qual fornecerá, O significado do vigésimo primeiro, E do vigésimo terceiro verso, Querendo assim, a fórmula para seguir em frente, Nesta luta imprevisível pelos caminhos do deserto, E numa miragem incomparável do que se possa enxergar, O oposto imperfeito de uma alma insolúvel.

Ao passo de não estar a mercê de uma prisão invisível, Tentando escapar para buscar apenas num olhar, O tempo inesgotável da melhor versão de si. Porém, sei muito bem, a definição de ambos os elementos, Ser uma folha guardada, a espera de todas as coisas, E na totalidade do que percebo ser até questionável, Deparar-me num ano de mil novecentos e quarenta e dois, Reencontrado numa vida passada, traços tão simbólicos, De uma realidade já compreendida.