No final dos anos 1950, os EUA utilizaram uma fábrica de fertilizantes na Flórida para esconder um projeto ambicioso: desenvolver um avião espião movido a hidrogênio, que prometia ser um salto tecnológico significativo na Guerra Fria contra a União Soviética. No entanto, poucos anos depois, a iniciativa foi abandonada, confrontada com dificuldades técnicas e financeiras. Mais de 60 anos depois, a indústria da aviação volta a sonhar com o hidrogênio como o combustível, o que permitirá ao setor manter-se nos ares sem emitir gases de efeito estufa.

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Em sua série especial sobre o potencial do hidrogênio como combustível do futuro, o Financial Times analisou essas expectativas. Mesmo entre as desenvolvedoras de aeronaves, as divergências são grandes: enquanto a Airbus está animada com a possibilidade de construir um avião movido a hidrogênio, a rival Boeing é mais cautelosa e está mais focada no desenvolvimento de combustíveis alternativos com pegada de carbono reduzida. Outro complicador é o impacto econômico da pandemia no setor da aviação civil, bastante prejudicada pelo desaquecimento econômico global no ano passado. Ao mesmo tempo, sinalizações recentes de governos e investidores em favor de uma descarbonização mais rápida estão sendo vistas como incentivos para que a indústria, mesmo baqueada pela pandemia, aposte no desenvolvimento de novas tecnologias.