As plataformas de gelo da Antártica podem perder até ⅓ da sua massa caso o aquecimento global chegue a 4°C. Para salvar metade dessa massa, segundo trabalho publicado na Geophysical Research Letters, será preciso cumprir o limite superior de Paris e limitar o aquecimento a 2°C.

O trabalho não especifica o quanto o nível do mar subiria, mas uma das autoras, Ella Gilbert, diz que não duvidaria se o mar subisse “dezenas de centímetros”. Só que esse processo não terminaria. As plataformas funcionam como uma rolha impedindo as geleiras de despencar rapidamente no mar – com “rolhas” menores, mais geleiras viram água. Hoje, as plataformas ocupam mais de 10% da área de todo o continente. Elas podem chegar a centenas de quilômetros de extensão. A área da maior, Ross, é do tamanho da Espanha. O trabalho foi destaque nos The Guardian, The Independent e New Scientist.

Uma das maiores plataformas, a de Pine Island, está perto do seu ponto sem volta (tipping point). A ciência das geleiras prevê que a partir de um certo limite, uma plataforma enfraquece a ponto de não mais refrear a movimentação da geleira inteira. Isso acelera o derretimento da geleira e a água resultante acelera o derretimento da plataforma. O processo pode acontecer muito rapidamente. Um artigo na Cryosphere diz que a plataforma de Pine Island está se aproximando rapidamente deste limite. O Um Só Planeta comentou o trabalho.

A última Idade do Gelo terminou há cerca de 10.000 anos. Houve um pulso, um momento começando há 14.500 anos, quando o degelo ao redor do mundo atingiu seu máximo. Um estudo recente que saiu na Nature estima que, em menos de 500 anos, o nível do mar subiu 18 metros: 12 metros por conta do derretimento na América do Norte, 4,6 metros na Escandinávia e mais 1,3 metros na Antártica. O Um Só Planeta comentou o trabalho.