De 311 animais avaliados para a Covid-19, pesquisadores do Hospital Naval Marcílio Dias encontraram 35 animais contaminados. A primeiro-tenente Shana Barroso, bióloga virologista do hospital, explica que foram analisados, pela técnica de RT-qPCR, 251 cachorros e 60 gatos da região de São João de Meriti, no Estado do Rio de Janeiro. Alguns animais apresentavam sintomas gripais, mas a maioria estava assintomática. A pesquisa foi uma das selecionadas pela chamada emergencial da FAPERJ destinada a apoiar estudos relacionados ao novo coronavírus.

Segundo a pesquisadora, o estudo completo prevê a investigação de cães e gatos domésticos infectados por SARS-CoV-2 e o sequenciamento das amostras, além da avaliação da presença de anticorpos específicos IgG e IgM.

A parceria nessa missão inclui pesquisadores do Laboratório de Biologia Molecular, do Instituto de Pesquisas Biomédicas, do Hospital Marcílio Dias, do Laboratório de Imunofarmacologia da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e médicos veterinários da Clínica Rio Vet.

As amostras de sangue dos animais serão analisadas com intuito de verificar se os anticorpos desempenham papel neutralizante do processo de infecção viral.

A pesquisadora destaca que os resultados preliminares mostram uma maior taxa de infecção dos animais pelo SARS-CoV-2 que os trabalhos já publicados. Os resultados encontrados podem contribuir de forma relevante ao entendimento da infecção de animais domésticos pelo SARS-CoV-2.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), os animais domésticos não transmitem a doença para seus donos, mas os donos são capazes de transmitir aos animais que, de uma forma geral, têm um bom desfecho. Estudos da literatura já identificaram o SARS-CoV-2 em tigres e leões de zoológicos.

Crédito: Boletim da FAPERJ