Um peixe perto de uma hidrelétrica é sugado para dentro de uma turbina pela pressão da água – pressão parecida com um mergulho a dezenas de metros de profundidade. Se ele passar inteiro pelas pás da turbina, sofre uma descompressão muito forte e quase instantânea. Órgãos internos explodem ou ficam seriamente danificados.

Pela primeira vez, um grupo de pesquisadores da Universidade Federal de São João del Rei se juntou a outros, britânicos e suíços, e mapearam o impacto das hidrelétricas brasileiras na população de peixes. Coletaram dados de registros de cardumes mortos nos últimos anos e chegaram à estimativa de que as hidrelétricas mataram o equivalente a 128 toneladas de peixes. A quantidade está subestimada porque só se registra quando há grande quantidade de peixes mortos e não as mortes que acontecem aos poucos.

O Brasil é o país que abriga o maior número de espécies de água doce no mundo. Muitos deles só existem aqui. Uma usina como Tucuruí reduziu 60% dos peixes no Tocantins e Belo Monte reduziu 25% da população no Xingu e segue colocando em risco pelo menos 50 espécies. Um dos pesquisadores, Andrey de Castro, diz que “essa perda de biomassa (com a mortandade dos peixes) tem um efeito muito grande no meio ambiente e também provoca uma consequência social, já que muitos pescadores e ribeirinhos dependem desses peixes”.

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