O derretimento das geleiras está impactando mais do que o nível do mar – está entortando o eixo da Terra. O eixo em torno do qual a Terra gira determina a posição geográfica dos dois polos. Ao longo da sua história, esses polos andaram bastante e até trocaram de lugar algumas vezes. Um exemplo elucidativo: uma bola com um pouco de lama em um de seus lados não gira do mesmo jeito que uma limpa. Do mesmo modo, o eixo de rotação da Terra depende da distribuição da sua massa. Como há mais continentes no hemisfério norte, o eixo de rotação é um pouco inclinado em relação ao eixo da órbita em torno do Sol. Uma mudança bem mais sutil está sendo provocada pelo aquecimento global. As geleiras são um peso principalmente sobre a Groenlândia e a Antártica. Ao derreter, esse peso será distribuído pelos mares. Um trabalho que acaba de sair na Geophysical Review Letters mostrou que este derretimento nas últimas décadas é uma das duas principais causas para explicar porque o eixo se deslocou 4 metros em direção ao leste. E este deslocamento está acelerando. O trabalho mostrou que, entre 1996 e 2020, o eixo se deslocou 17 vezes mais rapidamente do que o medido entre 1981 e 1995. A outra causa, também antrópica, é o consumo de água bombeada de lençóis e aquíferos. Estima-se que as sociedades humanas tenham retirado trilhões de toneladas de água de debaixo da terra e despejado-as no mar, fazendo o eixo de mover mais um pouco. Damian Carrington, no The Guardian, e Brian Kahn, no Gizmodo, comentaram o trabalho.

Para muita gente, conter o aquecimento global em 1,5°C implica em se reduzir drasticamente as emissões, mas também em remover CO2 da atmosfera em quantidades monumentais. A vegetação é um processo natural de remoção e fixação de carbono que, para a urgência e tamanho da crise climática, é lento e exigiria vastas extensões de terra, hoje usadas para lavouras. Uma matéria da BBC conta que há várias linhas em desenvolvimento para remover o gás da atmosfera e fixá-lo para quase sempre em profundidades geológicas. Hoje, estes projetos estão capturando na escala de poucas toneladas de CO2 por ano. Para a escala da emergência climática, há estimativas de que seria preciso remover e enterrar 10 bilhões de toneladas de CO2 por ano, algo como 1/5 do que a humanidade emite atualmente. O investimento deve passar fácil da casa dos trilhões de dólares. E o custo ficaria na casa das centenas de dólares por tonelada de CO2 enterrada. Talvez saia mais barato para a humanidade parar de queimar combustíveis fósseis e reduzir o consumo de carne vermelha.

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