O contraste entre potencial e atuação nunca foi tão grande: o Brasil tem todas as condições para ser uma liderança na descarbonização da economia global; no entanto, a apatia e a falta de vontade política do atual governo jogam tudo isso no lixo e colocam o país em uma condição constrangedora.

No Valor, o ex-ministro Joaquim Levy deu o recado de maneira didática: o Brasil precisa reverter a toada do desmatamento na Amazônia e avançar com a precificação do carbono. Nos dois casos, o país reúne talento humano e recursos naturais para virar esse jogo. Isso sinalizará ao mundo a retomada do compromisso brasileiro com o meio ambiente e a ação climática, com resultados em termos de redução das emissões de carbono nos próximos anos. Também no Valor, Eduardo Matias ressaltou a importância desses resultados para o Brasil. “Temos condições de saltar rapidamente à frente. Para atingir nossa meta para 2030, praticamente bastaria acabarmos com o desmatamento, que compõe quase metade das nossas emissões. Ou seja, cumprindo nossas leis e deixando de fazer mau uso da floresta”.

Na Folha, Daniel Contrucci (Climate Ventures) e Livia Hollerbach (Pibe.Labo) também exploraram como o Brasil pode despontar como uma liderança para a descarbonização. “Temos todos os ingredientes para construir um futuro próspero e sustentável para gerar empregos e desenvolvimento a dezenas de milhões de famílias. Para isso, é hora de deixarmos de ver o meio ambiente e os Povos Tradicionais como inimigos ou barreiras para o desenvolvimento”.

Uma evidência do descompasso entre compromissos climáticos e o mundo real é o leilão de blocos de petróleo programado para outubro. O pior é que este leilão pode impactar ainda mais o país, para além do CO2 a ser emitido pela queima do petróleo a ser extraído. Alguns dos blocos estão próximos a santuários ecológicos como Fernando de Noronha e o Atol da Rocas na bacia Potiguar. Juliano Araújo, da Arayara, escreveu no Petróleo, um artigo importante sobre os riscos da exploração de fósseis nesses lugares, lembrando o imenso vazamento de petróleo que contaminou uma enorme faixa do litoral brasileiro, sem que se saiba até hoje o que o provocou. Araújo adverte: “[…] mesmo com denúncias públicas, relatórios técnicos embasados, ações judiciais e litigância, a ANP e o Governo Federal insistem em repetir – e piorar – os mesmos erros. Aos dirigentes e acionistas das empresas que pensam no potencial investimento, ninguém poderá, mais tarde, dizer que não foi previamente avisado dos perigos relativos à realização [do leilão].”

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