Cerca de 16 mil imóveis estavam cadastrados na plataforma Airbnb no final de 2019 somente em Florianópolis – um crescimento de 55% no número de propriedades em relação a janeiro de 2018. E mesmo nos primeiros meses da pandemia de Covid-19, o segmento conseguiu manter um padrão de faturamento. Estes são alguns dos dados obtidos pela pesquisa do formando no curso superior de Hotelaria do Câmpus Florianópolis-Continente, Diogo Rangel, e pelo professor Tiago Savi Mondo, que analisaram oferta e desempenho da plataforma Airbnb em Florianópolis em 2018, 2019 e os impactos iniciais da pandemia em 2020.

Entre os resultados da pesquisa está a análise da tarifa média, que registrou um aumento considerável ao longo de 2019,  “que se intensificou já a partir de junho e chegou a um acréscimo de 74% no mês de agosto, levando a tarifa de R$ 201 para R$ 350”. Segundo os pesquisadores, tal movimento pode ser percebido em praticamente todos os meses e pode indicar um novo patamar tarifário médio para locações de imóveis na capital catarinense. A análise aponta ainda os meses com maior ocupação e melhores tarifas.

Tiago Mondo destaca que o faturamento anual é outro indicador que retrata o desempenho da plataforma, com crescimento de 81% nas receitas em 2019 em relação a 2018. “É uma forte evidência do impacto econômico que a plataforma  traz ao turismo local, somando cerca de R$ 380 milhões em receitas ao longo do ano de 2019.” O estudo ainda indica que a média mensal de faturamento destes 16 mil imóveis em 2019 ficou em R$ 2.300,00.

Comparação com setor hoteleiro

A pesquisa comparou ainda a ocupação dos imóveis na plataforma com a rede hoteleira da capital, que obteve média de 58% ao passo que a Airbnb atingiu 30% somente. Já a análise entre o período de 2019 e 2020 revela um melhor desempenho da Airbnb, uma vez que aumentou sua taxa de ocupação média ao passo que o setor hoteleiro, embora com boa performance, teve redução em seu desempenho. 

“É um estudo interessante para quem quer alugar via Airbnb mas ainda mais oportuno para os hoteleiros terem uma visão estratégica do principal concorrente deles”, avalia Tiago.

Impacto da pandemia

Um dos exemplos citados na pesquisa é em relação aos meses de janeiro e fevereiro de 2020, nos quais “a Airbnb aumentou sua taxa de ocupação em 13% no período, ao passo que o setor hoteleiro teve queda de 11% em janeiro e 65% em fevereiro”. 

Já no mês de março, com a pandemia de Covid-19 provocando lockdowns no Brasil, os dados apresentam uma melhor performance do setor hoteleiro com 28% e retração na Airbnb com menos 44% na ocupação no comparativo com março de 2019. Já abril foi o oposto: a plataforma obteve desempenho 67% melhor que abril de 2019, enquanto a hotelaria afundou 96%. Os meses consecutivos de maio e junho apresentaram queda de desempenho, sendo o setor hoteleiro o mais impactado. Em julho a Airbnb demonstrou aumento significativo de 283% ao passo que a hotelaria permaneceu no vermelho, com piora de 68%, sempre comparados aos meses de 2019.

“O fechamento ou redução da ocupação dos hotéis por decretos estaduais e municipais afetou significativamente o desempenho desse segmento de oferta de alojamento. Como alternativa, o produto substituto absorveu parte da demanda e obteve um desempenho relevante durante os primeiros meses da pandemia”, avalia Tiago.

O artigo foi apresentado no XVI Seminário da Associação Brasileira de Pós Graduação e Pesquisa em Turismo – ANPTUR em 2020 e publicado na Revista Ateliê do Turismo, na primeira edição de 2021

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