A inflação percebida pelos consumidores de Florianópolis chegou a 1,3% em maio e a 8,3% no acumulado dos últimos 12 meses. Só neste ano, os preços já subiram 4,1%. O índice mensal não ultrapassava a marca de 1% há mais de três anos e meio (desde novembro de 2017). Já o acumulado em 12 meses estava abaixo de 8% desde setembro de 2016 (há mais de 4 anos e meio).

Os números são do Índice de Custo de Vida (ICV), calculado mensalmente pela Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), por meio do Centro de Ciências da Administração e Socioeconômicas (Esag), com apoio da Fundação Esag (Fesag).

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Combustíveis

Mas os aumentos de maio não foram generalizados. Apenas dois itens pesquisados (combustíveis para automóveis e energia elétrica) tiveram impacto de 60% na alta geral da inflação no mês. De acordo com o coordenador do ICV/Udesc Esag, Hercílio Fernandes Neto, se não tivesse havido nenhum aumento de preço nesses dois itens, a inflação de maio seria de 0,5%, menos da metade do registrado.

Os combustíveis para automóveis, que tiveram uma redução expressiva nos preços em abril (-6,17%) voltaram a subir com força, anulando a queda do mês anterior com folga. O aumento em maio na bomba foi de 9,7%. No caso específico da gasolina, foi ainda maior (13,4%).

Energia elétrica

Já as tarifas de energia elétrica residencial subiram 5,4%. A razão é a crise hídrica na Bacia do Paraná (ondem ficam algumas das principais usinas hidrelétricas do País, incluindo Itaipu), o que levou a elevação da bandeira tarifária de amarela para o patamar 1 da vermelha.

Segundo Fernandes Neto, já está “contratado” novo aumento nas tarifas de energia para este mês de junho. “A bandeira vermelha, que estava no patamar 1 em maio, já foi alterada para o patamar 2, o mais alto”, explica o coordenador do ICV/Udesc Esag. “Isso já garante uma alta de cerca de 5% para junho”.

Alimentos e eletrônicos

A inflação de maio não foi mais expressiva por conta da estabilidade dos preços dos alimentos (-0,10%), que correspondem a mais de um quinto do orçamento das famílias. Houve uma ligeira queda nos preços dos alimentos comprados em feiras e supermercados (-0,30%), compensada pelo aumento das refeições consumidas em lanchonetes e restaurantes (0,24%).

Houve aumento expressivo em maio nos preços dos artigos de residência (2,86%), grupo que tem impacto de quase 8% no orçamento das famílias. Nesse caso, a alta foi puxada principalmente pelos eletroeletrônicos e produtos da linha branca, que subiram 5,58%. Houve aumento de custos no setor, com a alta do dólar e a escassez de chips eletrônicos durante a pandemia.

Entre os demais grupos pesquisados, a energia elétrica impactou os preços ligados a habitação (2,12%) e os combustíveis puxaram o grupo transportes (3,66%). Houve aumentos menores em saúde e cuidados pessoais (0,43%), despesas pessoais (0,63%) e comunicação (0,80%). Além da alimentação, tiveram redução de preços os grupos vestuário (-1,41%) e educação (-0,24%).

Sobre o Índice de Custo de Vida

O ICV/Udesc Esag registra a variação dos preços de 297 produtos e serviços consumidos por famílias de Florianópolis com renda entre 1 e 40 salários-mínimos. Para o último boletim mensal, os dados foram coletados entre os dias 1º e 31 de maio.

A metodologia é a mesma usada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para o cálculo do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), referência oficial para a meta de inflação nacional. Para o cálculo do ICV, a Udesc Esag conta com o apoio da Fundação Esag. (Fesag) na atualização das ferramentas utilizadas.