A lua se aconchega na noite,

Onde a névoa traz a escuridade,

E o ar gélido vem pra fazer compreender,

Que chegaste antes de qualquer amanhecer.

Buscas algo com os olhares,

Profundos quanto os mares,

Mas que no fundo tens a vontade,

De quebrar com toda essa maldição.

Então, a criatura se vendeu ferozmente,

Contudo, percebeu ser a loucura displicente,

De quem ainda não tinha a mínima noção,

Das consequências de entregar o seu coração.

Não sei se sou o teu salvador,

Neste penhasco a qual a tua vida,

De maneira tão acometida,

Não libertou-te da morte impetuosa,

No qual não veio, e nem te levou.

Se por fora és a dama de vermelho,

Por dentro abris o teu peito inteiro,

Para quer-me pra sempre sentir,

Os apreços reais da pureza que é o amor.

Ah, relicário de sangue!

A cruz que do anel te queima,

Como gotas caídas num calvário,

Encharcam-te da mais nobre doçura,

Protegendo-te das forças obscuras,

Dando-te uma nova chance!

Entretanto, aquele que transmutou-te,

É o cão negro a surgir nos horizontes,

Que nesta terra quer romper as argolas dos portões,

Cujo inferno está infestado de suas paixões.

Sim, ele anseia em tomar-te para si,

Como parte de um sacrifício perfeito,

Mediante a dominação de seus pensamentos,

Fazendo-te ser a esposa de um Conde intransigente.

E persegue-te séculos após o outro,

Mas eis que estou a sua frente,

Reconhecendo-te ser mais que aparentas,

Pois de vergonha cobriste-te a face,

Mas que revelas-te a este ser vivente!

Beijas-me em um dos teus aposentos,

Num Castelo Fiscal, no meio da Baía de Guanabara.

Rasga-me os poucos botões de uma camisa azul claro,

Embriagando-me com teus dentes vampirescos,

Possuindo-me hipnoticamente para uma gôndola

Que atracada, encontra-se no Porto em Veneza,

Onde estão guardados os tórridos e perigosos segredos.

No fim de tudo isso,

Vejo-te, minha Natasha!

A princesa da noite,

A andar sobre os montes,

Deixando-me só e vulnerável