No início do século XVI, embarcações que se deslocavam para a Bacia do Prata aportavam na Ilha de Santa Catarina para o abastecimento com água e víveres. Por volta de 1675, o bandeirante paulista Francisco Dias Velho, com sua família e agregados, iniciou a povoação da ilha com a fundação do povoado Nossa Senhora do Desterro (atual Florianópolis). A capela, construída nessa época, sob a invocação de Nossa Senhora do Desterro marcou o local onde está a Catedral Metropolitana de Florianópolis.

Francisco Dias Velho prendeu a tripulação de um barco pirata que conduzia prata, confiscando para a Fazenda Real os bens do mesmo, em 1687. Um ano mais tarde, os piratas que haviam escapado voltaram e destruíram as benfeitorias e mataram o fundador. Terminou assim, tragicamente, em 1689, a povoação de Francisco Dias Velho. Quase todos os habitantes do local desertaram – Desterro foi abandonada.

Originalmente foi denominada “ilha de Santa Catarina”, já que Francisco Dias Velho, o fundador do povoado, chegou ao local no dia de Santa Catarina. Ela continuou por muito tempo sendo assim chamada, inclusive ao se tornar vila com o nome de Nossa Senhora do Desterro, como comprovam as correspondências oficiais e as cartas de navegação da época onde ainda se mencionava a Ilha de Santa Catarina.

Com a independência do Brasil a vila elevou-se a cidade, quando decidiu-se fortalecer o nome correto, mas agora passando apenas a se chamar “Desterro”. Apesar de ser uma referência a fuga da sagrada família para o Egito, esse nome desagradava certos moradores, uma vez que lembrava “desterrado”, ou seja, alguém que está no exílio ou que era preso e mandado para um lugar desabitado.

Esta falta de gosto pelo nome fez com que algumas votações acontecessem para uma possível mudança. Uma das sugestões foi a de “Ondina”, nome de uma deusa da mitologia que protege os mares. Este nome foi descartado até que, com o fim da Revolução Federalista, em 1894, em homenagem ao então presidente da República Floriano Peixoto, o governador do estado, Hercílio Luz, mudou o nome para Florianópolis.

A escolha do nome foi, contudo, uma afronta à própria população desterrense, dado que Desterro era uma cidade fortemente monarquista e contrária à Proclamação da República. Floriano Peixoto não era uma autoridade com popularidade na cidade e enfrentou grande resistência de seu governo em Desterro. Como a cidade era um dos principais pontos que se opunham ao presidente, este mandou um exército para a cidade para que fosse derrubada esta resistência. O nome foi dado logo após a “Chacina de Anhatomirim” ou “Tragédia de Desterro” ocorrida na fortaleza militar da ilha de Anhatomirim, ao norte da Ilha de Santa Catarina, ocasião em que foram fuzilados cerca de 300 pessoas, dentre as quais oficiais do exército, juízes, desembargadores e engenheiros, três dos quais eram franceses.

Francisco Dias Velho, nasceu em São Vicente, no ano de 1622 — Nossa Senhora do Desterro, 1687), bandeirante paulista, colonizador e capitão-mor da ilha de Nossa Senhora do Desterro. Foi o fundador do povoado de Nossa Senhora do Desterro, atual Florianópolis.

O pouco que se sabe de sua juventude vem do historiador Silva Leme, que diz ser Dias Velho filho do bandeirante Francisco Dias e de Custódia Gonçalves, nascido na vila de São Vicente, capitania de São Vicente. Casou-se em São Paulo com Maria Pires Fernandes, filha do capitão Salvador Pires de Medeiros, com quem teve 12 filhos.

Seu pai participou de diversas bandeiras (…),tinha por objetivo de encontrar ouro e pedras preciosas, sendo desbravador do sertão dos Patos e do vale do Rio São Francisco para o Sul, até o Rio Grande de São Pedro. Francisco Dias Velho, em sua juventude, tendo acompanhado seu pai na entrada que fez ao sertão dos Patos. (…)

Quando em 1640, Portugal obteve novamente sua independência, tratou de estimular o povoamento da costa sul do Brasil para garantir a posse pacífica daquela parte do reino. Neste período passou a se formar um novo tipo de bandeiras, as “Bandeiras Colonizadoras”, cujo objetivo já não era o de ir para voltar com as mãos cheias de ouro, mas a de ir para colonizar e estabelecer novos centros de civilização. Em 1673, Francisco Dias Velho enviou seu filho José Pires Monteiro com uma centena de homens para fazer povoação no melhor lugar que descobrisse na costa de Santa Catarina, sendo que encontrou excelente lugar em uma grande ilha daquelas paragens. Dois anos depois, Francisco Dias Velho, junto com a esposa, três filhas e dois filhos, outra família agregada, mais dois padres jesuítas e quinhentos índios, aportou na ilha no dia de Santa Catarina batizando a mesma com o nome da santa (há controvérsias sobre esta versão entre os historiadores) e fundou o povoado de Nossa Senhora de Desterro, hoje Florianópolis. Construiu ali, uma capela em homenagem à padroeira, no mesmo local onde hoje se encontra a Catedral Metropolitana de Florianópolis. Deu início à construção de casas e ao plantio de novas culturas, solicitando a posse das terras em 1679.

Em 1686, desembarcou na praia de Canasvieiras (norte da ilha de Florianópolis) um navio vindo do Peru, trazendo grande quantidade de prata. Alguns historiadores contestam o comando, se do inglês Robert Lewis ou seu conterraneo Thomas Frins. O fato é que a embarcação aportou na ilha, pensando estar deserta, desembarcando com tranquilidade parte do carregamento. Avisado, Francisco Dias Velho armou-se com seus homens e, na surdina, atacou e afugentou os saqueadores que acabaram deixando parte da prata na praia. Alguns historiadores defendem a tese de que Dias Velho e seus companheiros capturaram os invasores e que a prata fora mandada para Santos. Em 1687, um ano após o fato ocorrido, aportou na ilha, na praia de fora (hoje Beira-mar Norte), um navio pirata, preparado para atacar o povoado. Sem perda de tempo, Francisco Dias Velho com seus homens, armados com mosquetes e flechas, contra-atacaram os piratas que voltaram ao navio e lançaram-se em fuga para o mar. Inesperadamente, de madrugada, quando todos descansavam e despreocupados com o ocorrido, eis que a população do povoado é rendida, salvo aqueles que puderam fugir entre as matas. Como líder da comunidade, Francisco Dias Velho, foi levado a capela de Nossa Senhora do Desterro e lá brutalmente assassinado. Como se não bastasse, sua filhas foram violentadas e o povoado bastante danificado com a destruição de várias palhoças e canoas. Alguns historiadores defendem que estes piratas vieram à ilha na esperança de vingarem a humilhação pelo fato ocorrido ano anterior e recuperar a prata guardada na capela. Morto, Francisco Dias Velho foi sepultado próximo capela que construiu (hoje é a Catedral de Florianópolis). Não durou muito tempo e a grande maioria deixou o povoado. (…)

Vinte e três anos depois chegou à ilha o navegador francês Amadèe Frèzier e encontrou cerca de 150 pessoas, chefiadas pelo lisboeta Manoel Manso de Avelar.  Começou, assim, uma nova fase na ocupação do local.

A povoação de Desterro foi elevada à categoria de vila, em 1726. Cerca de dez anos depois, devido à sua posição estratégica para o domínio português, no Brasil, passou a  ser ocupada militarmente. Nessa época, começaram a ser erguidas as fortalezas. Portugal reconheceu a conveniência de fortificar a ilha e tratar do seu povoamento e encarregou, para tal missão, o brigadeiro José da Silva Paes, nomeado governador do presídio local. Em 1738, foi desmembrada da capitania de São Paulo.

Silva Paes iniciou a construção da Casa do Governo, da Matriz e de quatro fortalezas e, em 1748, chegaram os primeiros casais de agricultores açorianos. A agricultura e a indústria manufatureira de algodão e linho floresceram. Nesse período, meados do século XVIII, foram implantadas as “armações” para pesca da baleia, em Armação da Piedade (Governador Celso Ramos) e Armação do Pântano do Sul (Florianópolis), cujo óleo era comercializado pela Coroa Portuguesa.

Em 1777, os espanhóis comandados por D. Pedro de Zebalos invadiram a ilha, que acabou sendo restituída à Coroa Portuguesa no ano seguinte, pelo tratado de Santo Ildefonso que a reconheceu, definitivamente, como domínio português. Elevada à categoria de cidade em 1823, passou por grande modernização política e cultural, com os preparativos para a recepção ao Imperador D. Pedro II, em 1845.

Na segunda metade do século XIX, a Vila de Desterro viveu dias de grande agitação por ocasião da Guerra do Paraguai (1864 -1870), para a qual alistou muitos habitantes que formaram o 25º Batalhão dos Gloriosos Voluntários da Pátria. Tornou-se capital da Província de Santa Catarina e houve um período de prosperidade com o investimento de recursos federais, houve a melhoria do porto e a construção de edifícios públicos, entre outras obras urbanas. Após a Proclamação da República (1889), as forças vitoriosas sob o comando do Marechal Floriano Peixoto determinaram, em 1894, a mudança do nome para Florianópolis, em homenagem a esse marechal.

Durante o século XX, a cidade sofreu profundas transformações decorrentes, entre outros fatores, da intensa imigração de alemães e italianos, que se dirigiam ao Vale do Itajaí e à região da Serra Catarinense. Houve o crescimento da construção civil, a implantação das redes básicas de energia elétrica e do sistema de fornecimento de água, além da rede de esgotos. A agricultura e a pequena indústria de transformação deram forte impulso à economia da região e, entre outras iniciativas, a construção da Ponte Hercílio Luz marcou essa fase do desenvolvimento regional.

Fonte: iphan, wikipédia