De acordo com a Sociedade Brasileira de Cirurgia de Cabeça e Pescoço (SBCCP), a associação do consumo de tabaco e de álcool multiplica em até 20 vezes a possibilidade de uma pessoa saudável desenvolver algum tipo de câncer de cabeça e pescoço. O uso das substâncias, segundo estudos epidemiológicos, é o principal fator para o desenvolvimento de um câncer específico e frequente.

No Dia 27 de julho foi o dia Mundial de Prevenção ao Câncer de Cabeça e Pescoço, em conversa sobre prevenção deste tipo de câncer com o professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, cirurgião que já foi diretor científico da Sociedade Brasileira de Cirurgia de Cabeça e Pescoço, Flávio Hojaij.  “Em geral, quando falamos em prevenção de câncer temos que evitar o tabaco. A cada dez pacientes que atendemos com câncer na boca, laringe ou faringe, pelo menos nove tem relação com o tabaco”, explica. “Temos que tomar cuidado e evitar a associação de álcool e tabaco porque essa é uma relação péssima”, complementa o cirurgião.

Para Hojaij, além de evitar o consumo dessas substâncias, a conscientização da população acerca da existências e pertinência do câncer é outra importante medida de prevenção. “Isso para uma coisa muito clara e objetiva que é o diagnóstico precoce”, ressalta. Com o diagnóstico precoce de um tumor de boca, faringe ou laringe, por exemplo, segundo o professor, o paciente encontra tratamentos pouco onerosos tanto na esfera financeira quanto na da saúde. “O dia 27 de julho é importante para a gente se prevenir, mas também para se conscientizar e estimular o diagnóstico precoce para uma terapêutica menos avassaladora”, destaca. Dentre os tumores causados pela associação de álcool com tabaco, um exemplo é o carcinoma das células escamosas, “que reveste toda a cavidade oral e as mucosas dessa região”, complementa. Ainda de acordo com o professor, 95% dos cânceres de boca é um carcinoma epidermoide.

O cirurgião também define alguns sintomas que podem estar associados ao desenvolvimento de tumores, entre eles “úlcera oral, dor na garganta, rouquidão, e nódulo no pescoço”. Se o paciente ainda for fumante, ingerir bebidas alcoólicas com frequência e apresentar alguns desses sintomas, é recomendável que se procure orientação especializada, uma Unidade Básica de Saúde ou um encaminhamento a um médico especializado, por exemplo, o otorrinolaringologista. “Essa é a via com o tratamento mais adequado”, revela. Ainda de acordo com o professor, a higiene oral é muito importante para a saúde não só pela questão do câncer, mas também para evitar outras doenças cardíacas, por exemplo. “As outras doenças também continuam”, finaliza Hojaij.

Com informações do Jornal da USP