Atualmente, no complexo Prisional de Joinville em Santa Catarina, de dois mil e cem detentos, cerca de mil fazem a leitura, a cada mês, de um livro de literatura, com posterior resumo para remição (cada livro lido gera 4 dias computados como pena cumprida).

Porém, por questão de segurança e logística, os detentos não conseguem ir até a biblioteca, seja a do Presídio, seja a da Penitenciária. Uma listagem chega nas celas e por ela os leitores escolhem o livro do mês.

Sempre pensei sobre a satisfação que todo leitor tem ao folhear livros em bibliotecas e livrarias antes de escolher a obra que levará para casa. É quase um ritual, que aos detentos leitores tem sido cerceado.

Mas isso vai mudar.

A partir da Resolução 391 do Conselho Nacional de Justiça, que trata de práticas educacionais e remição pela leitura e que diz que se os presos não podem ir até os livros, os livros devem ir até os presos, nesta semana apresentei um projeto aos dedicados e comprometidos gestores do complexo, no caso, ao Gerente do Presídio, ao Diretor da Penitenciária e ao Gerente da Região Norte do Sistema Prisional.

Trata-se do projeto “biblioteca móvel”, que foi bem aceito por todos.

Por esse projeto, cuja elaboração teve a participação de Alex Giostri, da Editora Giostri, os presos terão acesso a carrinhos-bibliotecas e assim poderão manusear e consultar os livros que escolherão. Os carrinhos serão feitos nas próprias unidades, desenhados e planejados de forma específica para o projeto. Cada carrinho será destinado a uma galeria e conterá livros de literatura separados por gênero, como contos, romances, novelas etc e serão chamados cada um por nomes de autores brasileiros consagrados já falecidos, como Ariano Suassuna, Cecília Meireles, Manoel de Barros etc.

Em resumo, todo mês os carrinhos, recheados dos livros, irão até os pátios de sol para encontrar os seus leitores.

O projeto será colocado em prática em pouco tempo, assim que os carrinhos ficarem prontos e a separação dos livros seja concluída.

As fotos que seguem registram o ato na Penitenciária, que inclui o Presídio, com os gestores supra referidos, a professora e o detento que cuida da biblioteca.

Quem desejar cópia do projeto, basta contatar com a Penitenciária ou com o Presídio de Joinville, pois o material é público e pode ser replicado.

É a literatura ajudando a romper barreiras, a ressignificar a pessoa e a trazer o olhar ético sobre nossa humanidade.

João Marcos Buch
Juiz de Direito da Vara de Execução Penal da Comarca de Joinville/SC