No Climate Home, Chloé Farand trouxe um exemplo de como a cooperação pode fazer a diferença para combater as consequências mais graves da mudança do clima. No Paquistão, pesquisadores da Universidade de Reading (Reino Unido) e organizações humanitárias trabalharam em um sistema de previsão de seca agrícola a partir de imagens de satélite e modelagem climática. Ele foi implementado no final de 2020 nas províncias de Sindh e Punjab, áreas que representam o “cinturão agrícola” paquistanês e que são mais propensas à seca. O modelo foi capaz de identificar onde o trigo de inverno não estava crescendo adequadamente e disparar um alerta para ação preventiva. Com a informação, os agentes humanitários fizeram um plano de resposta com as comunidades locais, identificando que tipo de apoio eles precisavam para evitar insegurança alimentar caso a safra realmente fosse perdida. Os resultados preliminares são animadores. Além dos índices de segurança alimentar em patamares adequados, à despeito da seca, a ação preventiva também evitou outros efeitos colaterais da seca – como a evasão escolar e a migração para outras áreas do país.

Do outro lado da fronteira, no Afeganistão, o panorama é bem mais complicado. Tal como o vizinho Paquistão, o país sofre com uma seca histórica que arruinou a subsistência de milhões de pessoas. A situação, que já era grave, ganhou contornos dramáticos no mês passado, com o colapso do governo nacional afegão e a tomada do poder pelo Talibã. O NY Times fez uma análise sobre os desafios humanitários e climáticos que o Afeganistão enfrenta e as perspectivas para a população mais vulnerável com a saída dos governos ocidentais e de algumas organizações humanitárias.