Entender como o vírus se relaciona com genes específicos permite diagnósticos precisos e tratamentos mais efetivos.

Algumas das características que influenciam a gravidade de uma infecção por covid-19 são idade, estado de saúde e condições socioeconômicas. Entretanto, um consórcio internacional de cientistas com participação da USP estuda os fatores genéticos associados ao vírus.

José Eduardo Krieger, professor de Medicina Molecular da Faculdade de Medicina (FM) da USP e diretor do Laboratório de Genética e Cardiologia Molecular do Instituto do Coração do Hospital das Clínicas (InCor-HC), explica que o conhecimento dessas características foi importante para direcionar o cuidado com o coronavírus, mas isso não explica toda a variabilidade.

“Nós não podemos dizer, hoje, o que a genética representa, mas é esse o quebra-cabeça que a gente quer entender”, afirma. “Se a gente entender o mecanismo pelo qual isso interfere no organismo, isso pode criar uma oportunidade para intervenção”, acrescenta. Com esse conhecimento, é possível desenvolver ou aprimorar medicamentos.

Segundo Krieger, o fato de o estudo ser realizado em diversas partes do mundo com diferentes populações permite uma investigação mais completa, com maior diversidade genética. Uma investigação só com os brasileiros é conduzida de maneira paralela, justamente para investigar as especificidades no Brasil.

“Nós estamos vendo alguns sinais que são particulares daqui, só que agora a gente tem o grande desafio de tentar separar se isso é um sinal real ou espúrio, ou seja, ao acaso”, diz. O professor comenta que o estudo já identificou genes expressos no pulmão que são importantes também para outras doenças, como o câncer. “Essas são pistas importantes para a próxima etapa.”

Conhecer os fatores genéticos associados à gravidade da infecção por covid-19 permite diagnósticos mais precisos e tratamentos de medicina personalizados. “Esses são os próximos passos ao longo desse tipo de pesquisa.”

Cretido: Jornal da USP