O crescimento da área ocupada por atividades agropecuárias entre 1985 e 2020 foi de 44,6% no Brasil. Juntas, agricultura e pecuária ganharam 85 milhões de hectares no período. Essas atividades cresceram em cinco dos seis biomas brasileiros, com exceção da Mata Atlântica.

No estudo do uso e cobertura da terra no território brasileiro. Foram usadas imagens de satélite com reflectância de superfície – uma nova ferramenta que ajuda a ter mais precisão nos dados, para analisar imagens individualmente. O novo monitoramento conta ainda com novas classes de Agricultura: arroz, café e citrus; detalhando melhor o tipo de cultura empregado na terra. 

Nos últimos 36 anos, a área de plantio de soja e cana alcançou a mesma extensão de toda a formação campestre do Brasil. Para se ter uma ideia, as lavouras de soja equivalem a um Maranhão e a cana-de-açúcar ocupa o dobro da área urbanizada do país. A principal ocupação de solo do Brasil continua sendo de florestas: 59,7%.  Mas, esse percentual está majoritariamente concentrado na região amazônica. Ou seja, excluindo-se a Amazônia, o retrato do Brasil é bem diferente. No Pampa, apenas 12,5% do território são florestas. Quase metade (47,8%) é ocupada pela agropecuária. Na Mata Atlântica, a área de agropecuária é ainda maior, ocupando dois terços (66,7%) do bioma. Cerrado (45%) e Caatinga (37,4%) têm a terceira e quarta maior ocupação por atividades agropecuárias. 

 O estudo mostra, em uma análise mais detalhada da ocupação e uso da terra no Brasil, que os 66,3% de vegetação nativa não correspondem necessariamente a áreas preservadas. “Uma parte desta vegetação nativa já está degradada ou já foi desmatada e está em regeneração, qualificar a estado de degradação é um dos focos atuais do MapBiomas”, comenta Tasso Azevedo, coordenador geral do MapBiomas. Dos 27 estados da federação, 24 perderam vegetação nativa. Os campeões são Rondônia (-28%), Mato Grosso (-24%) e Maranhão (-16%).  

Por outro lado, os territórios indígenas já demarcados ou aguardando demarcação foram os que mais preservaram suas características originais. Menos de 1% do desmatamento no Brasil entre 1985 e 2020 ocorreu em terras indígenas. “Se queremos ter chuva para abastecer os reservatórios que provêm energia e água potável para consumidores, indústria e o agronegócio, precisamos preservar a floresta amazônica. E as imagens de satélite não deixam dúvidas: quem faz isso são os indígenas”, conclui Tasso.