Ricardo Oliveira

É incerto o tempo a qual tenho,

Estado mergulhado nas tais profundezas,

De um mar cuja a face denota,

As lágrimas com que tanto vejo-te

E nas turvas águas da inocência,

Eis que alguma coisa move-se,

E é assim o meu mundo mortal,

Onde posso notar a sua presença.

Sou puxado cada vez mais,

Para um lugar antes de eu nascer,

Na época em que revelas,

A razão de simplesmente querer-te.

Por acaso, que alma nutre tua era,

Para despertares um adormecido?

Sendo-te quem o espelho prende,

Podes guardar tais segredos escondidos?

Teus lábios são como morangos,

Deveras eu puder os terem colhidos,

E mediante a ondulação das madeixas,

Sentir o cheiro do jardim esquecido.

Se a morte vier a meu pedido,

Posso ter a bravura de cortejá-la?

Antes de virares uma concha,

Levando-te para longe desta saudade.

Empunho a espada da justiça,

Lutando com dragões e serpentes marinhas,

Salvando-te de um destino travesso,

De seres posta ao sacrifício oferecido.

Ah, entendo que é só em pensamento,

Que tuas mãos venho a segurar, e

Contra o meu aberto peito sangrando,

A verdade vir a vós entregar.

Dou por mim, já regresso ao presente,

De um outrora a corromper-me,

Pelas pronúncias deferidas,

Daquela voz a qual ouço repentinamente.

E da Ordem cuja fronte fui lavado,

Na cerimônia de meu ingresso,

Também foi-me doravante tirado,

Uma parte que seria-me contemplado,

Na câmara de vidas passadas.

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